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Campo Grande 110 Anos

Uma Capital mais rural do que você pensa

16 setembro 2009 - 00h00Por Folha do Fazendeiro

A Praça das Araras, os tuiuiús do aeroporto, a vista do Shopping Campo Grande a partir do Parque das Nações Indígenas, o corre-corre do centro e o fluxo de veículos cada vez mais intenso na Afonso Pena, a principal artéria do sistema viário da Capital. São cenários que mostram uma cidade que se urbaniza a olhos vistos, o que pode ser comprovado na comparação da Campo Grande que temos hoje com a aquela de apenas uma década atrás.

Mas a modernização inevitável desta jovem morena, que completou em agosto 110 anos, ainda não conseguiu apagar o aspecto interiorano que a caracteriza. Não que o uso do termo tenha finalidade depreciativa. Muitíssimo pelo contrário, as ruas largas e arborizadas e os parques e espaços de lazer são credenciais que comprovam a qualidade de vida a que o campo-grandense tem acesso e que faz inveja a qualquer visitante.

O Monumento aos Imigrantes, localizado nas proximidades do Horto Florestal, não deixa de ser uma referência a esse caráter da Capital. Por isso resolvemos homenagear a cidade evidenciando a qualidade de ser ‘Campo’. Além do que pode ser visto na área central, existem outros aspectos que mostram a relação ainda próxima de Campo Grande com o elemento caracterizador da economia do Estado: o meio rural. Talvez poucos dos 755,1 mil habitantes da Capital - segundo estimativa populacional divulgada pelo IBGE no último dia 14 de agosto – percebam, mas a capital dispõe de uma gama de empreendimentos que exploram comercialmente atividades ligadas ao campo, desenvolvidas em plena área urbana.

Nos 35,3 mil hectares de Campo Grande é possível encontrar hortas, criação de cavalos, chácaras e locais de locação para festas. Tem até um parreiral onde o visitante pode colher a uva que vai levar e a única fazendinha itinerante do Brasil, especializada no atendimento a eventos. Tudo isso sem comprometer as características da urbanidade que estão modificando o aspecto da cidade. Outro detalhe do aspecto do campo ainda preservado pela capital está na sua área rural.

Quando falamos em Campo Grande, são as edificações da cidade que vêm à nossa mente. Porém, a área territorial de 8,09 mil metros quadrados é mais do que suficiente para comportar uma variada produção agrícola, também por muitos ignorada. Segundo a última pesquisa da produção agrícola municipal do IBGE, dados de 2007 dão conta que a Capital mantém produção permanente de banana, café, côco-da-baia, laranja, limão, mamão, manga, maracujá, tangerina e até uva.

Em lavouras temporárias, o IBGE constatou o cultivo de abacaxi, arroz, aveia, batata-doce, cana-de-açúcar, feijão, mandioca, melancia, milho, soja, sorgo e tomate. Na área da silvicultura e extração vegetal, também produz madeira e carvão. Isso sem contar a diversidade da produção pecuária (veja tabela). Com um rebanho bovino de 576,6 mil cabeças, a criação de animais tem aspectos curiosos, como a presença de asininos (asnos, burros e jumentos) e muares ou mulas.

A criação de coelhos, mesmo que em pequena quantidade, também pode aparecer como uma surpresa para muitos campo-grandenses. Os produtos derivados da pecuária vão além da produção leiteira. Passam pelos ovos de codorna, mel de abelha e até mesmo lã. E pasmem: Campo Grande tem até criação de bicho-da-seda. Pequena, conforme dados do IBGE, mas tem. Uma diversificação certamente desconhecida da maioria e que, se fortalecida, pode se tornar um dos itens de sustentação do conceito de qualidade de vida.