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Tradição especulativa faz produtor perder picos

13 outubro 2009 - 00h00Por Gazeta do Povo

Na Coamo, a maior cooperativa de grãos da América Latina, com sede em Campo Mourão, na região Centro-Oeste do Pa­­raná, a orientação aos produtores associados é comercializar antecipadamente até 20% da produção estimada. O porcentual de negócios futuros, no en­­tanto, sempre ficou abaixo disso. O comportamento dos mais de 20 mil cooperados, que entregam acima de 5 mi­­lhões de toneladas de grãos por ano, espelha a realidade da co­­mercialização no estado. Mais do que isso: a Coamo também representa produtores de outros dois estados, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Aroldo Gallassini, presidente da cooperativa, diz que o produtor brasileiro não tem tradição de atuar no mercado futuro. “O Brasil é especulador. E mui­­tas vezes paga o preço por isso”, afirma o dirigente. Em seus 39 anos à frente da Coamo, ele conta que, apesar do histórico especulativo, o agricultor sempre acaba vendendo na baixa, não aproveitando os picos de preço. Na opinião de Gallassini, as fortes oscilações do mercado ajudam a deixar o produtor confuso. Ele cita a cotação do bushel de soja, que saiu de US$ 10 e foi a US$ 16 na metade do ano passado.

Para a próxima safra, a Coa­­mo fechou negócios com soja a R$ 34 a saca de 60 quilos. O preço é bem menor que o pico de R$ 52 recebido no ano passado, mas ainda assim compensador. O custo de produção direto (desembolso) dos produtores associados da Coamo fica em torno de R$ 20 por saca. “Travar preço para até 20% da produção é estratégia para cobrir custo. Isso seria o ideal, mas é uma cultura difícil de im­­plantar”, destaca Gallassini.

O desastre do câmbio

Com 40% de um faturamento anual de US$ 2,5 bilhões escorados na exportação, a Coamo prevê que a comercialização da safra 2009/10 no Brasil se complicará se não houver uma reação do câmbio. “Se a cotação do dólar insistir na flutuação entre R$ 1,8 e R$ 1,9 será um desastre para as exportações do complexo soja”, alerta o presidente da cooperativa. Sua expectativa é que o dólar rompa a barreira dos R$ 2. “Será a única maneira de compensar os estoques em alta e a queda sistemática das cotações em Chicago.”