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Técnica que aumenta produtividade das lavouras e protege o meio ambiente recebe incentivo para propa

12 julho 2010 - 00h00Por Resvista Fator.

Uma prática agrícola utilizada há mais de 2.000 anos por gregos, romanos e chineses tem se tornado cada vez mais importante na atualidade. O objetivo é aumentar a produção das lavouras a partir da melhoria da fertilidade do solo sem dependência de insumos externos à propriedade. Trata-se da adubação verde, técnica que contribui com a conservação ambiental.

A prática consiste no plantio de espécies vegetais, principalmente leguminosas, em rotação ou consórcio com lavouras. Essas espécies podem ser roçadas e deixadas no terreno para servirem de adubo natural, ou podem ser usadas para o plantio direto. Neste caso, em cima da palhada, são cultivadas outras culturas. Leguminosas perenes também são utilizadas em sistemas de faixas ou aleias. Cultivadas próximas da área do cultivo principal, periodicamente são podadas e suas folhas acrescentadas à área de produção.

A matéria orgânica disponibilizada pela adubação verde retém nutrientes na superfície do solo e aumenta a fertilidade do terreno. As raízes profundas dessas plantas trazem para a superfície nutrientes levados pela água para o subsolo.

O pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) Walter Matrangolo explica que leguminosas, como feijão guandu, mucuna e crotalária, são capazes de ampliar o teor de matéria orgânica no solo pela fixação biológica de nitrogênio, que é realizada em simbiose (ou parceria) com bactérias presentes em suas raízes. “Assim, é possível aumentar a produtividade das culturas sem depender de fertilizantes químicos, que têm alto custo econômico e ambiental”, comenta Walter.

Além do benefício da redução dos custos de produção, a adubação verde contribui com a conservação da biodiversidade. O pesquisador explica que, com o uso intensivo de adubos minerais solúveis, ocorre a eutrofização do solo, ou seja, o excesso de nutrientes estimula o desenvolvimento de microrganismos que consomem rapidamente grande parte da matéria orgânica. Esse processo pode causar aumento da compactação do terreno, diminuição da capacidade de retenção de água e aumento da erosão. Por outro lado, os adubos verdes promovem o equilíbrio ecológico, protegem o terreno contra radiação solar e erosão. Também promovem a descompactação e aeração do solo, o que aumenta sua capacidade de armazenamento de água e de nutrientes.

Além disso, algumas espécies utilizadas como adubos verdes são úteis para reduzir a infestação de pragas nas culturas, pois diversificam o sistema de produção, o que favorece os agentes de controle biológico e, em geral, diminuem a incidência das plantas invasoras pelo sombreamento.

Mesmo com tantas vantagens, a prática ainda não está bastante difundida entre os produtores rurais. Um dos principais entraves para a utilização da adubação verde no Brasil tem sido a baixa disponibilidade de material para propagar a prática e de informações, principalmente para os agricultores familiares.

A fim de superar essas dificuldades e incentivar o uso da técnica, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) desenvolve o programa Banco Comunitário de Sementes de Adubo Verde. Com a iniciativa, produtores recebem sementes para multiplicação. Busca-se estimular a troca de material e de informações entre agricultores.

Nos bancos, os produtores se associam espontaneamente. Cada agricultor tem direito a uma quantidade de sementes para plantio que deve ser restituída após a colheita. Assim, outras pessoas podem receber material e é possível fazer estoques para os momentos de necessidade.

Em Minas Gerais, o programa teve início em dezembro de 2007, quando foi criado um grupo gestor para coordenação e acompanhamento das ações, com a participação de profissionais da Embrapa Milho e Sorgo, Emater-MG, Epamig e Mapa. Esses profissionais fazem a capacitação de técnicos multiplicadores, que são, em sua maioria, extensionistas localizados nas várias regiões do estado.

Atualmente, 91 municípios mineiros estão inseridos no programa e 724 agricultores de 302 comunidades participam diretamente ou por meio de associações. Até o momento, foram distribuídos 6.338 quilos de sementes de adubos verdes.

A coordenadora do programa no estado, Lygia Bortolini (foto ao lado, acompanhada do pesquisador Walter Matrangolo), explica como as atividades são desenvolvidas a cada ano. “Começamos com a capacitação e distribuição de sementes aos técnicos multiplicadores. Posteriormente, os técnicos de cada município capacitam os agricultores simultaneamente à entrega das sementes e, na sequência, acompanham o desenvolvimento das lavouras junto aos produtores. Após esse período, o grupo gestor, a partir de um encontro técnico, realiza a avaliação das ações e resultados do programa nos municípios.”

Lygia ressalta que a intenção é expandir o número de agricultores familiares que participam do programa, orientando-os para a independência na criação, gestão e manutenção dos bancos de sementes. “É preciso que os agricultores entendam a importância de produzir as sementes para não dependerem de comprar esses insumos. Esperamos que eles façam estoques para situações de necessidade, como períodos de secas prolongadas, por exemplo, e que tenham, cada vez mais, autonomia para gerir os bancos comunitários.”

.[ Mais informações: Área de Comunicação Empresarial da Embrapa Milho e Sorgo, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: (31) 3027-1272 ou [email protected] .| www.cnpms.embrapa.br ] | Grão em Grão.