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Agricultura

Soja inicia movimento de queda dos preços

25 fevereiro 2010 - 00h00

A safra brasileira 2009/2010 deve colher cerca de 65 milhões de toneladas de soja, a previsão é de que seja a segunda maior safra da história da agricultura no Brasil. Este ano, tudo está ajudando não teve seca – aliá, a chuva tem caído com regularidade – houve uma ligeira expansão da área plantada e o resultado final deve ser uma maior produção por hectare.

 Só uma coisa não deve ajudar os produtores este ano, o preço da saca. A perspectiva é de baixa, já que os Estados Unidos, maiores produtores do mundo, e a Argentina, terceiro maior, devem também ter uma safras muito boas, próximas aos recordes históricos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a safra mundial de soja deve ficar em torno de 253,4 milhões de toneladas.

É muita soja. Na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuro) a forte pressão por um movimento de baixa do produto para contratos futuros já começou, e registra quedas significativas desde o início do ano. De acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), no dia 4 de janeiro a saca com 60 kg era negociada a R$ 42,73, uma ligeira valorização se comparada com a cotação anterior.

Contudo, no dia seguinte, a desvalorização teve início e, de 4 a 11 de janeiro a commodity já acumulava queda de 2,38%. A saca, no porto de Paranaguá foi vendida a R$ 40,4 (11/01) e a baixa naquela praça somava 3,81%. O conselho de quem entende do assunto é negociar a venda o quanto antes.

De acordo com Leon Dávalo Vilela, corretor de commodities da Granos, quem deixar para negociar na safra vai perder dinheiro. “Ocorre que, os três grandes produtores de soja do mundo estão tendo uma boa safra. Em comparação com o ano passado, os Estado Unidos vão colher 10 milhões de toneladas a mais, assim como o Brasil e a Argentina cerca de 23 milhões de toneladas, e o consumo não aumentou”, esclarece. “Dessa forma, o preço deve ceder. Só vai haver um ganho maior se o dólar subir”.

Há ainda outro problema, a armazenagem. Os silos da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) ainda estão cheios com os produtos da colheita passada. Como se não bastasse, em Mato Grosso do Sul há um déficit de espaço de 2,5 milhões de toneladas. Não tendo onde colocar, o produtor vai ter de se desfazer rapidamente do que produziu, o que significa vender mais barato. “O produtor pode até reclamar, mas ainda vai ter lucro”, adianta Vilela. Mesmo vendendo a saca da soja a R$ 30, preço esperado para pico da safra, quem plantou a oleaginosa vai ficar no azul. “Muita gente vai reclamar porque vai tentar tirar o prejuízo da safra passada na deste ano”, prevê. Para contrabalancear a queda dos preços houve a queda dos custos.

De acordo com uma pesquisa feita pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) de Dourados os custos ficaram 24,7% mais baratos do que na safra 2008/2009. O principal motivo para isso foi a baixa dos insumos, principalmente dos fertilizantes, que na safra passada chegou a representar 33,6% do custo total.

Conforme Alceu Richetti, pesquisador da Embrapa, o motivo da queda brusca no preço dos fertilizantes se deve a grande quantidade do produto nos armazéns dos comerciantes. “Em 2008, por causa da crise [financeira mundial] muita gente ficou esperando o financiamento e acabou não comprando adubo, ou comprando menos, e houve uma grande oferta do produto”, esclarece.