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BOI GORDO

Semana marcada por recuos nos preços da arroba em meio ao ritmo mais lento dos negócios

Para os analistas, o movimento de queda surpreendeu os pecuaristas, que esperavam um mercado com tendência de alta

22 agosto 2022 - 07h32Por DBO Rural

Ao longo desta semana, os preços do boi gordo recuaram no mercado físico brasileiro, repetindo o mesmo comportamento registrado na semana anterior. O movimento de queda da arroba surpreendeu os pecuaristas, que esperavam um mercado com tendência de alta neste momento, não só por causa do avanço do período de entressafra de boiada terminada a pasto, mas também pela recuperação atual da economia, o que deveria estimular o consumo interno de carne bovina e, assim, uma maior procura da indústria pela matéria-prima (boi gordo).

“Dispondo de escalas de abate confortáveis, as indústrias frigoríficas brasileiras optaram por reduzir o ritmo de compra de gado no mercado spot”, relata a IHS Markit, acrescentando que a atual programação de abate nas unidades atende plenamente aos compromissos de curtíssimo prazo. “Tal conjuntura renovou as pressões de baixa da arroba ao longo da semana, gerando um descompasso ainda maior entre oferta e demanda de gado gordo”, ressalta a IHS.

Segundo a consultoria, as escalas de abate das indústrias foram preenchidas com boiadas gordas oriundas de parcerias em confinamento realizadas com grandes invernistas e também a partir de animais engordados em boiteis pertencentes ao próprios frigoríficos, o que colaborou para o ambiente de fraca procura por gado nas últimas semanas. Paralelamente, pecuaristas confinadores que não estão com maior cobertura de contratos a termo acabam tendo que liquidar parte de sua produção, de modo a garantir margens mínimas e evitar maiores custos no cocho diante dos preços fragilizados da arroba, acrescenta a IHS.

Nesta temporada, os custos de diárias nos boiteis variam entre R$ 22 e R$ 24 por animal, um avanço de 44% sobre os gastos observados em igual período de 2021. Recentemente, a JBS concedeu férias coletivas em seis unidades de abates, espalhadas em três Estados brasileiros. Os impactos mais significativos ocorreram no Pará e no Mato Grosso, com a arroba do boi gordo registrando quedas mais acentuadas.

Na sexta-feira, 19 de agosto, os preços se acomodam em meio a lentidão nas negociações, com as indústrias atuando de maneira contida, informa a IHS. “As indústrias brasileiras seguem com escalas de abate preenchidas até os primeiros dias de setembro”, relata a consultoria

Porém, continua a IHS, embora boa parte das unidades de abate tenham garantido oferta de animais terminados até pelo menos o final de agosto, cresce os relatos de que poucas plantas frigoríficas estão adentrando com programações para além da primeira semana de setembro.

“Na atual semana, as programações de abate pouco avançaram e, em algumas regiões do País, as escalas ficaram estagnadas”, ressalta a IHS. Nesse sentido, a consultoria analisa alguns fundamentos para os próximos dias.

Pelo lado da demanda, as indústrias devem seguir atuando de forma cautelosa nas compras de gado, já que há um represamento significativo da produção, sobretudo da parte direcionada ao mercado interno.

“Os frigoríficos observaram um quadro de sobreoferta de carne bovina ao longo da cadeia de produção e distribuição, já que o mercado doméstico, apesar da parcial recuperação observada na primeira quinzena do mês, ainda não possui fôlego suficiente para absorver excedentes”, afirmam os analistas da IHS.

Dessa maneira, com o objetivo de desovar estoques e conter descompasso na balança de oferta e demanda, os frigoríficos reduziram a procura por boiada no mercado físico, além de reescalonar as suas programações de abate diários.

Da porteira para dentro, os pecuaristas, notadamente confinadores localizados na região do Centro-Sul do País, iniciam movimentos de contenção dos lotes terminados, à espera de melhores condições de preços da arroba.

“O volume de oferta de animais terminados se tornou mais enxuto, abrindo espaço para barganha preços mais altos”, relata a IHS. Dados apurados pela Scot Consultoria aportaram estabilidade nos preços do boi gordo negociado nas praças paulistas.

Paga-se pela arroba do boi, vaca e novilha R$ 295/@, R$ 274/@ e R$ 290/@, respectivamente (preços brutos e a prazo), de acordo com a Scot. A cotação do boi-China, abatido mais jovem, com até 30 meses de idade, também apresentou estabilidade nesta sexta-feira, e segue valendo R$ 300/@ nas praças de São Paulo, acrescenta a Scot.