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PECUÁRIA LEITEIRA

Segurança alimentar e produtividade agora têm cartilha

Série de procedimentos a serem implantados pode elevar o difícil trabalho de produzir leite no Brasil a uma condição de sucesso

21 setembro 2022 - 09h24Por DBO Rural

Na manhã de ontem (20/09), a Boehringer Ingelheim, divisão de Saúde Animal, lançou o CertBios, um inédito selo (programa) de certificação de biosseguridade desenvolvido nos últimos dois anos, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Os objetivos são os de promover a saúde geral; reduzir a incidência de doenças e, assim, gastos com insumos laboratoriais (medicamentos etc); além de melhorar os índices produtivos e zootécnicos das fazendas, promovendo prosperidade em um setor que sofre muito com a conjuntura do País.

O programa estabelece uma série de procedimentos para promover biossegurança na propriedade leiteira, tendo como bases o bem-estar animal, a saúde única ou integrada do produtor, meio ambiente e consumidor; e a inovação como fonte de respostas. Trata-se de uma cartilha a seguir que pede uma auditoria periódica e até a conquista de um selo.

Ações pontuais e preventivas

Tais procedimentos foram concebidos e descritos por uma equipe multidisciplinar de técnicos e pesquisadores, identificando e prevenindo, por exemplo, a ocorrência de doenças de transmissão vertical ou outras contagiosas que entram pela porteira, por diversos motivos.

Na transmissão vertical tem-se como parâmetro a bezerra que não recebe o colostro até seis horas de vida e tem toda sua imunidade, ao longo da vida, comprometida. Então, segundo Eduardo Pires, coordenador técnico e especialista da área de Grandes Animais da Boehringer, “o protocolo de biossegurança, neste caso, deve fixar um manejo para que isso não ocorra”.

No caso dos males que assediam a fazenda, além de máquinas e veículos que rompem a porteira, insumos como sêmen, alimentos, manipulação de efluentes e o próprio trânsito das pessoas, em quaisquer setores da propriedade, podem se traduzir em grave ameaça.

Acessível a vários perfis

A CertBios é pública e qualquer interessado pode acessar e adotá-la. A certificação é concedida por uma empresa credenciada; no momento, a Serviço Brasileiro de Certificação (SBP, de Botucatu, SP). Ela também atende aos interessados em implantar o processo, que pode ocorrer de acordo com as possibilidades de cada empreendimento.

O programa é democrático no que diz respeito à sua acessibilidade. Produtores mais modestos podem ter o serviço em plataforma coletiva via laticínios, cooperativas e outras entidades. Rouber Silva, gerente de Marketing e Técnico de Grandes Animais da Boehringer, enfatiza que já nos primeiros passos de adoção da CertBios, o incremento à produtividade é visível e compensador.

A Embrapa está na retaguarda ministrando cursos de aplicação para técnicos, produtores e auditores do programa. Além dos ganhos diretos há os indiretos, como edificação de um manejo padronizado baseado em bem-estar animal e preservação do meio ambiente, além de maior comunicação com o consumidor final, do leite.

Demandas de mercado

O CertBios nasceu de uma demanda do consumidor brasileiro, aquele que já procura conhecer a origem do leite que está consumindo. Em sendo assim há um pressuposto de que muitos podem estar predispostos a pagar mais por um produto, por exemplo, com biossegurança. Então, essa qualidade pode estar associada a marca ou marcas de leite.

Como outro estímulo à adesão está outro programa, agora estatal: o “Leite Saudável”, do governo federal, que prevê linhas de crédito e subsídios fiscais para produtores que focam sua produção com sustentabilidade e segurança alimentar.

Então, na avaliação dos executivos da Boehringer, o CertBios é um programa que vem “ao encontro de demandas mercadológicas com atendimento ao consumidor e aumento da produtividade”.