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Redução de produtores de leite é uma tendência, avalia consultor

08 outubro 2009 - 00h00

A diminuição de produtores de leite no Estado e no país é uma tendência. Porém, isso não significa que vamos ter menos lácteos sobre a mesa. A profissionalização do setor deve fazer um tipo de seleção natural, excluindo os que usam técnicas de criação inadequadas e estabelecendo os que acompanham a onda tecnológica. Como resultado a produção leiteira deve subir ainda mais em todo Brasil.

O médico veterinário Matheus Silva Vieira, professor do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e consultor do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apóio às Micro e Pequenas Empresas) é um dos que acreditam que esta mudança no perfil da pecuária leiteira é um caminho sem volta.

 Ele cita como exemplo o estado de Goiás, que até poucos anos, era um dos que menos produziam leite, mas que agora é o quarto no ranking nacional. “Houve uma mobilização dos órgãos públicos para dar mais instrução, informação e profissionalizar o produtor, com isso veio a mudança no setor”, disse lembrando que Goiás é um Estado que tinha características semelhantes as de Mato Grosso do Sul.

Mesmo que os números de hoje mostrem que no Brasil 52% da produção leiteira provem da agricultura familiar, ou com características de familiar, os quais representam 80% dos produtores, Vieira acredita que as agroempresas devem prevalecer em um futuro que não está distante.

Ele ressalta que, para ser considerado profissional no ramo leiteiro, a propriedade tem de produzir, cem litros/hectare/dia no mínimo, o que não é muito difícil. “Mas tem de ter cuidado com a nutrição do animal, sanidade e aptidão para o leite”,frisou.

 Em MS – Conforme Vieira, no Estado a atividade ainda não é exercida com profissionalismo e são poucas a propriedades que têm uma produção acima de 500 litros por dia, e a maioria deles entrega diariamente aos laticínios algo entre 50 e 200 litros. Além disso, enquanto a média nacional de produção por vaca, que já é baixa, é de seis litros/dia, em Mato Grosso do Sul fica em 2,8 litros/dia.

“Isso porque grande parte dos produtores não tem um programa de manejo durante o ano todo, não planta uma cana-de-açúcar para alimentar o animal na entressafra” disse. “Aí, não vai ter leite mesmo”, comenta.

Segundo Vieira, aliado às essas questões ainda há a escolha errada das matrizes. “A maioria dos pequenos produtores compram vaca sem saberem se é um animal que dá leite e, geralmente, levam os mais baratos, que não dão. Enchem o pasto com vacas de pouca rentabilidade, quando o ideal seria, ao invés de ter 35 vacas e tirar 90 litros de leite, ter apenas nove que produzem dez litros”, exemplifica.

Todas estas questões que envolvem falta de conhecimento técnico, má prática de manejo e produção inconstante resultam em uma remuneração baixa pela indústria. “E com todo este estresse o produtor encerra a atividade”, conclui.

Vieira, que também é membro da Câmara Técnica do Leite da Seprotur, destaca que a atividade é rentável, com um lucro líquido entre 25% e 35%, mas tem de exercida com profissionalismo.

Um Exemplo - O mesmo processo de profissionalização da atividade leiteira já aconteceu nos Estados Unidos e foi positivo. Lá, em 1950, existiam 3,5 milhões de produtores, 22 milhões de vacas que produziam 53 bilhões de litros de leite por ano. Em 2001, número de produtores caiu vertiginosamente para meros 83 mil, 9 milhões de vacas e a quantidade de leite pulou para 76 bilhões de litros ao ano.