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Ração animal continuará em alta até 2013

30 agosto 2012 - 00h20Por Osesc
Ração animal continuará em alta até 2013

 A conjuntura do mercado mundial permite prever que os preços dos grãos essenciais para a formulação de rações para nutrição animal continuarão em alta até 2013, situação que causa pesados prejuízos à pecuária intensiva, como a criação de aves e suínos. Esse quadro exige ações de política agrícola em favor dos pequenos e médios produtores rurais, avalia o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), Marcos Antônio Zordan.

 
Não há escassez no mercado brasileiro, mas os preços aumentaram muito em decorrência da associação de vários fatores: a seca nos Estados Unidos, a seca no sul do Brasil e a antecipação de compras da China. A saca de milho que custava R$ 27 reais em janeiro custa, hoje, R$ 32 reais (já esteve em R$ 25 reais e recuou), mas, em condições normais de mercado deveria estar em R$ 23 reais. O farelo de soja custava em janeiro R$ 640 reais, dobrou de preço e hoje é comercializado a R$ 1.300 reais (já esteve em 1.500 reais e recuou). O preço deveria estar em R$ 700 reais.
 
Essa crise de custos atinge de forma diferente os criadores de aves e suínos, explica Zordan: os produtores ditos independentes e os integrados verticalmente. Os independentes, sem dúvida, são os que mais sofrem no momento da crise, tendo em vista que num mundo globalizado eles ficam a mercê do mercado: a dependência que eles têm de matéria-prima para ração o tornam vulneráveis.
 
Para o avicultor integrado os riscos são menores, expõe o dirigente. “Como diz a velha máxima, o lucro é proporcional ao risco, se não ganha tanto, teoricamente, desde que seja eficiente, não perde nunca.” No caso do sistema cooperativista, o produtor rural é também sócio e não tem tido grandes problemas, independente das crises que surgem.
 
Marcos Zordan expõe que as crises são cíclicas e que é necessário estar preparado para enfrentá-la. Nesse aspecto, a OCESC promove treinamentos gratuitos e patrocinados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) através dos quais consegue dar maior eficiência aos produtores integrados, melhorando os seus resultados e os resultados da agroindústria de natureza cooperativista.
FUTURO
 
Em face da importância do agronegócio para a sociedade brasileira e a economia nacional, o presidente da Ocesc defende a adoção de uma política de proteção e apoio baseada na planificação geral da produção agropecuária.
 
“Como estamos inseridos num mercado mundial, os Governos têm que analisar a importância da atividade para o País e adotar medidas com antecedência para prevenir em parte ou toda a crise,” orienta. Para isso deve regulamentar as exportações, montar estoques reguladores, facilitar o transporte das regiões produtoras para as regiões consumidoras, incentivar a construção de armazéns nas regiões consumidoras, fomentar o plantio nas áreas de consumo com sementes de alta produtividade, enfim olhar com outros olhos o setor que é o “fiel da balança” na balança comercial.
 
Zordan entende que, com inteligência e criatividade, tudo tem solução, mas, lembra que são necessários recursos, iniciativa, boa vontade e, principalmente, conhecimento do assunto. Sobre a permanência ou abandono da atividade, recomenda: “Cada um sabe até aonde pode ir na atividade em momento de crise, mas a calma a sinceridade são fatores fundamentais para ambas as partes, agroindústria e produtor. Cada produtor deve se integrar numa cooperativa devidamente registrada, pois ali terá maior poder de participação e tomada de decisão.”