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Produtores de bionergia acreditam que mercado vai atrair investidor para alcoolduto

27 outubro 2009 - 00h00Por Seprotur

        O otimismo do governador André Puccinelli em relação à viabilização de um alcoolduto em Mato Grosso do Sul é compartilhado por produtores do setor, baseados em avaliações do cenário atual e do crescimento projetado para os próximos anos. De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Cezar de Hollanda Cavalcanti Filho, “já há interessados” no empreendimento e pessoas procuram a entidade para tratar das perspectivas.

 

“O setor acompanha o cenário que está acontecendo, no mesmo ritmo. Se o duto for uma necessidade de mercado, ele vai acontecer”, afirma Cavalcanti Filho, que dia 25 de setembro apresentou a palestra Agroenergia – Realidade e Perspectivas para Mato Grosso do Sul, no 3º Congresso de Tecnologia na Cadeia Produtiva da Cana-de-Açúcar (Canasul). 

 

A avaliação é que, ainda que num primeiro momento a Petrobras tenha adiado novos investimentos em alcoolduto, a tendência é que o aumento da produção atraia outros interessados no projeto. “E não é só um alcoolduto. Temos perspectivas de ligação tanto ao Porto de Paranaguá (PR), quanto a de integração com a hidrovia Tietê-Paraná, que está no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e que lá na frente se encontra com outro projeto de duto. E temos também a opção do Rio Paraguai. Temos sido procurados por empresas interessadas nos diversos modais de transporte para escoamento. Quem sabe em 2010 já não temos notícia de algumas coisas em construção”, afirmou, durante a palestra. A análise se enquadra em um dos temas que a Biosul considera os desafios para o setor em Mato Grosso do Sul, a logística de exportação.

 

Dados da Biosul apontam o perfil exportador do Estado em relação ao açúcar e ao álcool que produz. Da produção de 1,7 milhão de metros cúbicos, o mercado consumidor estadual absorve 326 mil metros cúbicos de álcool, conforme Cavalcanti Filho. “Exportamos 1,4 milhão de metros cúbicos. Ainda há dúvida de que alguém vai querer fazer um duto?”, diz, certo da resposta para esse questionamento.

 

Os números atuais somados à projeção de crescimento confirmam essa viabilidade. A estimativa divulgada na abertura do Canasul pelo governador André Puccinelli é de chegar a aproximadamente 2,9 milhões de metros cúbicos com a entrada em operação de sete novas usinas previstas para este ano. O presidente da Biosul vai mais longe e projeta que na safra 2014/1015, 30 unidades industriais estejam funcionado, moendo 68 milhões de toneladas de cana, produzindo 3,3 milhões de toneladas de açúcar, gerando 1,5 milhão de MW de energia e produzindo 3,7 milhões de metros cúbicos de álcool. “Se o mercado chamar, Mato Grosso do Sul vai buscar esses números”.

 

 

Integração pelo desenvolvimento

 

 

A Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul reúne representação dos produtores de etanol, açúcar e bioeletricidade do Estado, agregando as funções dos sindicatos dessas três áreas. A entidade foi criada no fim de 2008 e já tem entre os associados todas as unidades industriais do setor bioenergético em Mato Grosso do Sul, incluindo as que estão operando, em fase de instalação ou ainda em projeto.

 

O presidente da Biosul cita que a articulação institucional com o governo do Estado produziu ambiente muito favorável e que os empresários querem participar, com o governo, da criação da infraestrutura logística para o setor. Na exposição feita durante o 3º Canasul, ele incluiu uma frase dita pelo governador André Puccinelli na edição 2008 do Congresso, para sintetizar o caminho que o setor sucroalcooleiro vem tomando. “O governador disse: ‘É hora de formatar uma agenda técnica entre governo e produtores’. Pois digo agora que isso está feito e está se consolidando de forma bem proveitosa”.