Menu
Busca terça, 29 de setembro de 2020
Busca
(67) 3345-4200
Campo Grande
37ºmax
20ºmin
Notícias

Produtor vê potencial para criação de ovinos em Mato Grosso do Sul

19 setembro 2011 - 11h18Por g1

Uma tradição tão antiga que se mistura à história da raça e da criação. Faça chuva ou sol o cão pastor protege e guia o rebanho de ovinos. O manejo teve origem na Inglaterra e já foi usado em países da Ásia e África, mas a inspiração do produtor rural Jorge Tupirajá veio do Sul do Brasil.

Há 20 anos ele resolveu preservar um hábito que aprendeu com os pais, no Rio Grande do Sul. "Ele toca o animal, serve para tocar. Ele não acua, não morde. É um animal tranquilo", disse o produtor rural.

O produtor rural percebeu o potencial para a criação de ovinos em Mato Grosso do Sul, estado tradicionalmente ligado à pecuária. “Existe um grande negócio a ser explorado, que é o consórcio bovino/ovino. Porque uma propriedade hoje deve trabalhar com várias associações, o bovino/ovino, que é meu caso. Muitas vezes você não tem o gado gordo, o bezerro, mas tem o ovino e isso ajuda nas despesas básicas da grande propriedade", disse Tupirajá.

Atualmente, o Brasil é o 8º criador de ovinos e caprinos no mundo. O rebanho nacional passa das 30 milhões de cabeças. O Nordeste é a região que concentra as maiores criações por causa de características históricas e do clima com pouca chuva. No Centro-Oeste, estão apenas 6% da produção nacional de ovinos. Segundo o IBGE, em Mato Grosso do Sul há cerca de 430 mil animais, a maioria, em pequenas áreas.

A ovinocultura é também uma alternativa indicada para a economia familiar. Por serem ruminantes de tamanho médio os ovinos convivem bem em espaços pequenos, por exemplo, em um hectare de terra dá pra criar oito animais. Os produtores dizem que o clima e solo de Mato Grosso do Sul são favoráveis e a produção não exige grandes investimentos.

“Aonde você tem uma vaca, você pode ter de oito a 10 ovelhas produzindo cordeiros. Como a atividade é de ciclo curto o retorno é rápido e o ovino, por incrível que pareça, dá mais retorno que a pecuária', confirma Tupirajá.

Hoje, além de criar mais de 400 cabeças de ovinos, Jorge Tupirajá se tornou vice presidente da Associação dos Criadores de Ovinos do estado, que já cadastra 170 produtores e se mostra uma alternativa vantajosa. “Um estudo mostra que ter 400 fêmeas em uma propriedade familiar pode dar um retorno de 600 cordeiros, machos e fêmeas, no valor de R$ 4,50 a R$ 5 o quilo, o que no final rende cerca de R$ 10 mil por mês”, afirma o produtor.

Produção e criação
Entre os criadores de ovinos do país a corrida é para ampliar a produção e encontrar estratégias para ter mais carne à disposição do mercado. Nos últimos anos, a tecnologia está sendo aplicada no avanço da sanidade animal.
O confinamento, uma tendência na ovicultura, é um tipo de criação muito indicada pelos pesquisadores e há trabalhos que provam que ovinos criados neste sistema têm menos problemas de saúde.

“Uma isenção da parte de verminose, que seria a parte sanitária, que incide muito, e lá na frente você tem um padrão de oferta dos animais com a qualidade e com aquele atributos que o mercado exige”, disse Fernando Reis, pesquisador da Embrapa Gado de Corte.

Com melhoramento genético e suplementação a meta produzir mais em menos espaço e tempo, abatendo os ovinos em até 150 dias. O rebanho nacional diminuiu em torno de 20%. O número de animais é insuficiente para suprir o mercado interno brasileiro, abrindo espaço para importação. De 1997 a 2008, a importação de carne ovina saltou de US$ 6 milhões para US$ 23 milhões.

“Diante da abertura de novos frigoríficos no estado, diante de uma demanda cada vez maior pelos ovinos, ele vem se tornando uma iguaria, isso leva a uma organização do setor e a um profissionalismo do produtor. Então hoje em dia você já vê rebanhos bem equilibrados, bem conduzidos e que a parte até de mão de obra tem sido formada nesse sentido para que você tenha exito na criação da ovinocultura de corte no estado”, concluiu Reis.

Aos poucos a realidade das pequenas propriedades está mudando. Associar tecnologia ao conhecimento popular, aprimorar sistemas e entender o que é mais produtivo em cada região do estado são caminhos certos de lucro.

Consumo
A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) diz que a média de consumo de carne ovina no Brasil é de aproximadamente 700 gramas por habitante já nos países desenvolvidos chega 20 quilos por ano.