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Prisão de federais por indígenas e ameaças de novas invasões aumentam tensão na região do Nabileque

29 novembro 2017 - 18h33Por Acrissul
A Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) saiu hoje, através de nota oficial, em defesa de proprietários rurais da região do Nabileque, no Pantanal, para denunciar que indígenas da etnia kadiwéu estão fazendo uma série de incursões por propriedades nas redondezas da fazenda Baía da Bugra, para forçar produtores rurais a abandonarem a região e retirar o gado. 
 
A entidade ruralista publicou nota oficial em seu portal prometendo interferir na questão e cobrar duramente das autoridades a tutela ao direito de propriedade.
 
O clima de tensão aumentou essa semana quando ontem houve perseguição e prisão de dois policiais federais que estavam em diligência nas proximidades. Inclusive o cacique Joel Vergilio Pires publicou em sua página no Facebook imagens da prisão dos federais, exibindo como troféu suas armas e distintivos, tudo acompanhado de um texto desafiando as autoridades: "Estão aqui polícias federais presso com os guerreiro kadweu só saian da qui com a presença da empresa, ministério público e funai". (sic). As imagens e o texto foram depois deletados da página, mas o conteúdo já havia se espalhado pelas redes sociais.
 
A vários veículos de imprensa a Funai (Fundação Nacional do Índio) publicou que o ocorrido não tinha passado de um mal entendido. Mas, ao contrário disso, todo o conteúdo publicado pelo referido cacique em sua página na Facebook deixa bem claro que ele tinha plena consciência de que havia capturado e mantido em cárcere privado dois agentes da Polícia Federal.
 
Segundo informações da própria Polícia Federal os agentes estavam realizando diligências na região quando foram surpreendidos pelo indígenas. Os agentes já foram liberados e a PF vai abrir um inquérito para investigar a responsabilidade pelo cárcere privado.
Informações de proprietários de terras da região do Nabileque, que fica a 426 quilômetros de Campo Grande, é de que já são cinco fazendas invadidas e outras 12 sob ameaça constante de invasão. Apesar de promessas feitas pela Funai a veículos de imprensa de que os indígenas sairiam da região na sexta-feira passada, 24, até o presente momento nada foi cumprido. 
 
É de se reforçar ainda que um automóvel do Ibama foi de fato utilizado nas operações de invasão pelos indígenas. Informações indicam que há pelo menos 130 invasores  na região ocupando e ameaçando os produtores rurais com novas ocupações.
 
Entenda a questão
A etnia kadiwéu ocupa a maior reserva indígena já demarcada pela Funai em Mato Grosso do Sul – são 375 mil hectares. Em 1984 a Funai decidiu por conta própria e através de uma portaria efetuar a reavivação da divisa da reserva, mudando arbitrariamente o traçado de um rio e, com isso, agregando mais 154 mil hectares à reserva, afetando essas propriedades rurais, que possuem escrituras e recolhem tributos sobre os imóveis, além de possuírem inscrição estadual e tudo o que é exigido para criação e comercialização de gado. 
 
O caso, desde então, é fruto de uma demanda judicial envolvendo o condomínio de produtores. 
 
Segundo dados oficiais a população da etnia kadiwéu, que ocupa a reserva no Nabileque, é de cerca de 2 mil indígenas. A área da reserva é maior do que muitos países europeus.
 
Acrissul condena invasão em nota oficial
A Acrissul, em nota oficial publicada no portal da entidade condenou veementemente a invasão de terras por indígenas na região do Nabileque, assim como vem atacando todas e quaisquer invasão de terras em Mato Grosso do Sul. Segundo a nota, assinada pelo presidente Jonatan Pereira Barbosa, o direito de propriedade é um instituto sagrado protegido pela Constituição Federal e pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, e o Estado tem o poder-dever de proteger os produtores rurais, que são proprietários legítimos e produzem na região de forma sustentável e contribuem para proteção do ecossistema pantaneiro.
 
O ruralista encerra o texto da nota afirmando que "a Acrissul, como casa do produtor rural, tem o dever e fará tudo o que estiver a seu alcance, dentro dos limites da lei, para salvaguardar o legítimo direito de propriedade e proteger a manutenção da ordem e da produção sustentável no Pantanal.  Assim como cobrará com firmeza e determinação das autoridades a tutela que o caso requer."