Menu
Busca sexta, 25 de setembro de 2020
Busca
(67) 3345-4200
Campo Grande
36ºmax
22ºmin
Notícias

Presidente da Acrissul fala em "apagão no campo"

11 dezembro 2009 - 00h00Por Jefferson da Luz - Via Livre Comunicação

O presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Francisco Maia, avalia que pode haver um “apagão no campo” caso as medidas que a Abras (Associação Brasileira dos Supermercados) comecem a se estender. Ele ainda cita outras dificuldades que os produtores têm enfrentado, as quais podem refletir em menos comida na mesa do brasileiro.

“No caso da carne o preço da arroba do boi que não paga os custos, o excesso de exigências ambientais, o dólar desfavorável e ainda a carga tributária elevada”, pontua. “Se a ideia dos supermercados fosse realmente garantir, de forma séria, a procedência dos produtos que vende, teria de exigir o mesmo para o arroz, o milho, a soja a farinha. A carne não poderia ser a culpada de tudo. Será que vai ter de haver um desabastecimento para darmos valor ao produtor?”, questiona.

Segundo Maia, essas medidas são apenas para os supermercadistas ganharem, em Copenhagen, o lugar de homens de bem do planeta. “Mas para isso estão colocando o produtor rural como o grande vilão. Tudo isso somado tem gerado grande desmotivação ao homem do campo”.

Uma atitude positiva que o ruralista considera que os supermercados deveriam tomar seria a valorizar a carne proveniente do Pantanal, onde a criação de gado convive em harmonia com o ecossistema. Para ele boicotes só prejudicam os produtores, principalmente os pequenos e médios. “Sabemos que o leite e o feijão, por exemplo, são eles que produzem, e não têm condições de terem suas propriedades certificadas. Precisamos de incentivos e não ameaças”.

Ele cita como uma medida de bom senso o fato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter adiado por mais dois anos a averbação das reservas legais.

Caso os supermercadistas insistam nessa proposta de se certificar a carne, Maia sugere que eles também comecem e oferecer novas receitas para a população. “Vão ter de ensinar as donas de casa a fazerem Danoninho à milanesa, Danoninho à parmegiana”, disse. “Sim, porque não dizem que Danoninho vale por um bifinho?”, ironizou.