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INOVAÇÃO

Pesquisa da Embrapa ensina como garantir a eficácia do bioinsumo

As decisões de manejo por técnicos e produtores passam a considerar a intensificação do uso desses bioinsumos

05 agosto 2022 - 09h23Por Embrapa

A safra 2021-2022 tem sido especialmente desafiadora para os produtores e técnicos diante dos cenários adversos condicionados por evento climático extremo, uma seca de longa duração e extensa área de ocorrência na safra de verão, e uma guerra na Europa com grave impacto sobre preço e suprimento de adubos a partir da safra de inverno.  

Segundo José Pereira da Silva Junior, pesquisador da Embrapa Trigo, nesse cenário, conjugado ao aumento da disponibilidade de bioinsumos no mercado nacional nos últimos anos, as decisões de manejo por técnicos e produtores passam a considerar a intensificação do uso desses bioinsumos.

"Ao lado dos agentes de controle biológico para pragas e doenças, os produtos disponíveis no mercado são em grande parte biofertilizantes, onde bactérias com diferentes mecanismos de ação podem propiciar aumento de crescimento e produção de grãos", declarou.

Ele completa que com os fixadores de nitrogênio (N), já consolidados como estratégia de suprimento de N da soja, principal cultura de grãos do Brasil, surgem novos inoculantes que podem proporcionar redução da dependência de fontes minerais de nutrientes e até mesmo reduzir o impacto de estresse hídrico.

Contudo, completa José Pereira, é necessário observar o manejo adequado desse tipo de insumo, cuja eficácia depende da sobrevivência dos microrganismos e de sua multiplicação até o momento do estabelecimento junto a lavoura. São inúmeras as armadilhas e riscos que os agentes biológicos dos inoculantes enfrentam desde sua produção até sua deposição no campo.

O pesquisador reforça que o primeiro obstáculo enfrentado pela agente biológico está na sua multiplicação em condições controladas. Além das condições adequadas de nutrientes e temperatura, o processo de produção do inoculante necessita evitar a contaminação por outros microrganismos e estabelecer um padrão de concentração de células ao final do processo de multiplicação.

Para tanto, na avaliação dele, os produtores de inoculante, devidamente registado no Ministério da Agricultura (MAPA), seguem rígido controle do processo de produção e da qualidade do produto final. Nesse sentido, só produtos registrados recebem inspeções periódicas do MAPA para verificação dos padrões de qualidade exigidos.

O segundo obstáculo, de acordo com o pesquisador, diz respeito ao transporte/armazenamento, bem como ao prazo de validade dos inoculantes, que afetam a sobrevivência levando a redução da concentração de células viáveis obtida durante o processo de produção dos inoculantes.  

Embora a refrigeração não seja uma exigência no transporte e armazenamento, a disposição do inoculante deve considerar ambiente sem exposição solar direta e com boa ventilação. "Ao comprar um bioinsumo, o consumidor deve estar atento às condições nas quais o fornecedor armazena esse produto", declarou.

O último risco à sobrevivência do inoculante ocorre na propriedade rural, no momento da deposição do bioinsumo na semente, ou pulverização no sulco ou na planta. "A associação de outros insumos químicos ou de outros microrganismos incompatíveis, leva a progressiva mortalidade dos componentes biológicos e redução do efeito do bioinsumo", pontuou José Pereira.

Portanto, conforme o pesquisadsor, no tratamento de semente e nas pulverizações, a aplicação conjunta de inseticida, fungicidas e micronutrientes, especialmente no tradicional “sopão”, leva à perda do investimento do produtor na adoção do bioinsumo.

Por isso, pontua José Pereira, deve-se evitar a aplicação desses insumos numa única operação. "Esse conjunto de manejo compõe as Boas Práticas de Manejo de Inoculantes e estão disponíveis nas publicações técnicas da Embrapa", destacou.