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Pastagem de inverno une o útil ao agradável na entresafra

22 junho 2010 - 00h00Por Aqui Sudeste, por Leandro Czerniaski .

Plantio de aveia e azevém alimenta bovinos em tempo de pasto ruim, além de ocupar e nutrir a terra para a safra

A terra, principal ferramenta de trabalho do homem do campo, não pode ficar ociosa nem mesmo em tempos de frio, onde o plantio de determinadas culturas pode trazer somente prejuízos. É pensando nisso que tão logo começa a esfriar, produtores já se antecipam e optam pelas chamadas pastagens de inverno, o que, na visão do engenheiro agrônomo da Seab, Edson Marcos Mauricio, une o útil ao agradável por ocupar a terra em tempo de entresafra e ao mesmo tempo estar nutrindo a criação bovina e o solo.

Um primeiro objetivo das pastagens de inverno é não deixar o solo ocioso durante o inverno. Nesta, que é a estação mais fria do ano, dificilmente outra cultura irá resistir às geadas, tão frequentes na região, como a aveia e o azevém. “Plantar alguma dessas pastagens é unir o útil ao agradável, pois primeiramente se evita que a terra fique em “pousiu”, onde não se planta nada”, afirma Edson.

Dentre os benefícios também está o fato de as pastagens de inverno protegerem o solo da chuva, evitando erosões e, posteriormente, o assoreamento de rios e córregos, como é o caso de Francisco Beltrão, onde após as enchentes de dois meses atrás, uma grande quantidade de sedimentos encontra-se no fundo do Lonqueador.

Um terceiro benefício é no que se refere à complementação do vazio sanitário da soja, como explica Edson. “Mantendo resteiras de safras anteriores, torna-se o ambiente favorável ao aparecimento de pragas e doenças, além de ervas daninhas, mas com pastagens alternativas o agricultor evita que outras plantas nasçam e assim até economiza na hora de utilizar agrotóxico para a safra posterior”, afirma o engenheiro agrônomo.

ALIMENTO PARA O GADO

Mas os benefícios do plantio das pastagens de inverno não param por aí. Além dos já acima citados, plantar aveia ou azevém também pode contribuir na alimentação do gado bovino nesta época onde há escassez de pastagens naturais.

Como a produção de leite predomina na região, as pastagens são uma opção a quase todos os pequenos produtores que enfrentam dificuldades em alimentar o gado nesta época. Uma das recomendações que pode ampliar ainda mais os benefícios das pastagens é utilizá-la para alimentação do gado e mais tarde incorporar o restante das plantas ao solo, o que é um excelente adubo natural e que ajuda a preparar a terra para a safra. “Nesta época as pastagens ficam muito fracas, então dá de alimentar o gado bovino com a aveia ou azevém e depois incorporar o restante das plantas ao solo, o que é uma adubação de excelente qualidade e ocasiona em economia com adubação química”, diz Edson Marcos.

FRIO COM ATRASO

A época tradicional para plantar estas pastagens de inverno já se foi. Agora poucos produtores devem jogar ao solo as sementes de aveia e azevém, porém, as intempéries do clima devem prejudicar o plantio de outras safras. Como as pastagens de inverno são uma opção para proteger e nutrir o solo para a safra, o atraso do frio pode fazer com que as culturas tradicionalmente plantadas em agosto e setembro (milho, feijão e também o soja) tenham de ser plantadas ainda mais tarde, do contrário, podem sofrer com as geadas previstas para estes meses.

COMERCIALIZAÇÃO EM ALTA

Segundo estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) foram plantados de 115 a 120 mil toneladas de aveia nos 27 municípios da microrregião de Beltrão. Com relação ao azevém, o órgão não possui estimativas de plantio.

A grande quantidade de pastagem plantada reflete o consumo que alimentou as agropecuárias. Em Francisco Beltrão, Wilmar Rosanelli, da Agropecuária Rosanelli, estima venda superior a 200 toneladas de aveia e 20 de azevém, mas ainda restam sacas das sementes, todas fiscalizadas. “Ainda tem procura, mas bem menor”, afirma o proprietário da agropecuária, que diz que o volume de vendas foi parecido com anos anteriores.

Segundo Rosanelli, alguns motivos fizeram com que ainda houvesse procura pelas sementes. “Neste ano teve chuva em excesso, o frio está vindo atrasado e isso também por causa das pragas, então o pessoal procura ainda, mas mais para repor do que plantar”, justifica Wilmar.