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Ovinocultura

Ovinos no Pantanal precisa de plano de uso e conservação

25 fevereiro 2010 - 00h00

Pesquisa de caracterização do sistema de criação de ovinos naturalizados do Pantanal indica a necessidade de ampliação dos planos de conservação para este grupo genético. Estes animais, com os bovinos e cavalos Pantaneiros, se estabeleceram no decorrer de centenas de anos de adaptabilidade às condições da região.

Atualmente, grande parte dos núcleos de criação apresenta rebanhos fechados por algumas gerações com grau elevado de consanguinidade e núcleos descaracterizados na aparência em razão de cruzamentos com espécies exóticas ou comerciais na região. A consaguinidade é o grau de parentesco entre indivíduos descendentes de pais comuns.

Os estudos foram desenvolvidos pela pesquisadora Sandra Aparecida Santos, da Embrapa Pantanal, em conjunto com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (pesquisador Samuel Rezende Paiva) e com apoio financeiro da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul).

A Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, iniciou os estudos-piloto de caracterização destes animais em 2005, pela necessidade de diversificação e de agregar valor à pecuária bovina.

Os resultados deste projeto atual foram apresentados em outubro durante o 7º Simpósio de Recursos Genéticos para América Latina e Caribe, realizado no Chile. Sandra explica que os ovinos pantaneiros são rústicos e resistentes e têm sido procurados para implementar essa característica em rebanhos de outras regiões do país. “No Pantanal existe variabilidade genética passível para ser trabalhada tanto em programas de melhoramento como de conservação”, afirmou a pesquisadora.

Dentro deste mesmo projeto, estudos com marcadores moleculares estão sendo finalizados para quantificar a variabilidade genética existente dos animais amostrados nos rebanhos bem como para subsidiar uma futura homologação deste grupo genético junto ao ministério. Estes resultados serão comparados com outros em andamento na região.

A pesquisa revelou ainda que animais de um mesmo local de coleta (mesma propriedade) foram mais semelhantes entre si do que em relação a outro ponto de amostragem. “Esse resultado é válido para subsidiar medidas de manejo de troca de animais entre as propriedades de forma a manter a variabilidade genética deste grupo e reduzir a endogamia (consaguinidade) média local”, explicou.

Estes estudos são essenciais para a ampliação do programa de conservação deste grupo genético, já em desenvolvimento na Embrapa Pantanal, bem como para promover no futuro uma maior integração entre os produtores e instituições de ensino e pesquisa da região e do país que realizam estudos com estes animais que se mostram como uma alternativa produtiva de potencial para a região pantaneira.