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Onça-pintada agora ataca em unidades de conservação

02 agosto 2011 - 11h21Por correio do estado

O ataque de onça-pintada ao homem e ao gado do Pantanal, cada vez mais freqüente, tem sido atribuído às alterações do seu habitat e redução de animais silvestres de sua dieta alimentar. O comportamento do felino, no entanto, não tem sido diferente em áreas ambientalmente equilibradas, como em unidades de conservação, onde está matando animais domésticos, dentre eles o cavalo.

Na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Acurizal, da Fundação Ecotrópica, do rebanho de 25 cavalos pantaneiros restam apenas quatro animais e um deles foi atacado de madrugada na semana passada, salvando-se por intervenção de um empregado, que espantou o predador com rojões. Outras propriedades da região também atribuem a morte de eqüinos às onças.

Na Acurizal, situada entre o Parque Nacional do Pantanal e a Serra do Amolar, ao norte de Corumbá, o predador está atacando os animais em campo limpo, próximo à sede. Pelo menos dois cavalos foram mortos enquanto pastavam na cabeceira da pista de pouso. A onça foi identificada: um macho de 100 quilos, já capturada em armadilha por pesquisadores para colocação de coleira de monitoramento.

Em junho, quatro cavalos foram mortos na reserva e o sobrevivente, de nome Conhaque, um reprodutor de sete anos, foi seriamente ferido, com mordidas na cabeça e cortes profundos pelo corpo causados pelas garras do felino. Segundo o veterinário Ronaldo Morato, do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação de Predadores Naturais, a onça pode matar um cavalo com uma única dentada.

 Como evitar?

O Correio do Estado não conseguiu depoimentos de técnicos de órgãos de pesquisas estaduais sobre essa ocorrência, mas o biólogo Peter Crawshaw, maior estudioso brasileiro da espécie, deu seu parecer: como predador oportunista, a onça se habitua a predar animais domésticos e, enquanto estes estiverem disponíveis, ela volta ao local, sempre que sentir fome.

"No caso de Acurizal – diz Crawshaw -, a fauna nativa é protegida, não havendo caça por pessoas na reserva, mas, por algum motivo – talvez até simplesmente a facilidade para a captura dos cavalo na pista – uma ou outra onças se habituaram a predar esses animais". Para conter os ataques, ele sugere desencorajar a onça, tornando a captura mais difícil com cerca elétrica, luzes, pastoreio noturno.