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O Brasil produz papel sustentável

15 setembro 2010 - 11h49Por Folha de londrina
O Brasil produz papel sustentável

 ''É necessário mudar a mentalidade de que consumir papel prejudica o meio ambiente''. Essa é a opinião do engenheiro florestal Sebastião Renato Valverde, doutor em Ciências Florestais pela Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais. ''O papel brasileiro é o mais sustentável do mundo'', alerta.

Ele esteve ontem (14) em Curitiba durante evento da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) para o lançamento de uma campanha de valorização do papel e da comunicação impressa. O objetivo é mostrar para a sociedade que a celulose brasileira para a fabricação do papel provém de árvores cultivadas e não geram desmatamento.

Segundo a Abigraf, o papel brasileiro é proveniente de florestas formadas por pinus (fibra curta para o papel destinado à escrita) e eucaliptos (fibra longa para embalagens) plantados exclusivamente para a produção de celulose. ''No Brasil o consumo de papel é correto pela parte ambiental e social. Ainda nessa década seremos os maiores produtores mundiais de celulose'', afirma Valverde.

A floresta nativa brasileira é muito rica em espécies, diferente do que ocorre em outras partes do mundo. Para conseguir um processo industrial padronizado, os produtores precisam plantar uma espécie em cada região. Isso contribui para que a área nativa se mantenha intacta. Em outros países, essas florestas possuem poucas espécies, o que torna mais fácil a padronização para fabricar a celulose, ocorrendo assim o desmatamento.

''Só é feito o reflorestamento em áreas que já foram abertas pela agricultura. Quando elas deixam um passivo ambiental grande e migram para outras regiões, é possível plantar pinus e eucalipto, que não necessitam de área rica em nutrientes. Para nós, é mais fácil plantar no lugar de manejar a floresta nativa. Por conta disso, é necessário mudar a mentalidade de que consumir papel prejudica o meio ambiente'', diz Valverde.

Segundo dados da Abigraf, o Brasil consome menos de 10% de toda a produção de celulose que produz. Em apenas sete anos é possível cortar as primeiras árvores plantadas para a indústria da celulose, um recorde mundial. A própria Austrália, local onde existe grande plantação de eucalipto, não consegue colher em tão pouco tempo.

Atualmente o Brasil é o quarto maior produtor e o terceiro maior exportador de celulose. Ainda nessa década poderá assumir o primeiro lugar em ambas as categorias. Existem vários protocolos de intenção para abrir indústrias de celulose no Brasil, sobretudo no Nordeste. Serão investidos aproximadamente R$ 12 bilhões em novas indústrias até 2010.

As principais áreas de plantio de árvores para a produção de celulose estão na Bahia, Mato Grosso do Sul e Maranhão. Em breve também farão parte regiões do Tocantins, Piauí e Minas Gerais. A indústria de celulose tem forte presença no Paraná, São Paulo, Bahia e Espírito Santo.

História

Na década de 1970 o Brasil importava muito papel e celulose. Com a política de incentivo fiscal e o reflorestamento, os hectares de pinus e eucalipto aumentaram de 500 mil para 6 milhões. Atualmente a tecnologia em gestão florestal usada no país é modelo no mundo.

''Investir em áreas de reflorestamento é sinônimo de melhora na qualidade do ar, diminuição do aquecimento global, controle do efeito erosivo dos ventos e redução dos níveis de poluição aérea, além de melhorar a capacidade produtiva do local'', diz Valverde.

A indústria produziu no ano passado 13 milhões de toneladas de celulose, com faturamento que ultrapassa os R$ 28 bilhões. O Brasil possui 83.633 empresas do setor, que geram 114 mil empregos diretos.