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No interior do Paraná, sitiantes recebem pela "safra" de água

10 março 2010 - 00h00Por Globo Rural

Na última semana de janeiro, dona Cassilda Matias Massambani, que possui 12 hectares na zona rural de Apucarana, no Norte do Paraná, foi até a cidade para receber o primeiro de 12 cheques de R$ 113 pela entrega da 'safra'. Ela não precisou plantar para obter esse produto, de grande procura e mercado garantido, um gênero de primeira necessidade, mas que, até pouco tempo atrás, não lhe trazia nenhum rendimento. Muito pelo contrário, aliás. Como ela gosta de frisar, só fazia a renda do sitiozinho dedicado à cultura de soja e milho safrinha cair diante de exigências como recompor matas ciliares e regularizar a reserva legal, que acabaram lhe tirando mais de 2 hectares de terras produtivas. Assim, o valor recebido, que em um ano garantirá uma renda extra de R$ 1.356 à sitiante, não podia ter vindo de uma atividade para ela tão inusitada: a de conservar três minas d'água que nascem em sua propriedade e que correm para um rio da região.

A produtora não foi a única a estar na fila do recebimento. Outros 63 agricultores, com propriedades nessa bacia hidrográfica, também puseram a mão em cheques com valores entre R$ 98,30 e R$ 562,80 pelo mesmo - e importante - motivo: a proteção das minas que brotam dentro de suas terras. Tal remuneração incomum, que passa a ser mensal por quatro anos, é resultado do Projeto Oásis, lançado em abril de 2009 pela Prefeitura Municipal de Apucarana com o objetivo de melhorar a quantidade e qualidade da água dos rios que cortam o município e contribuir com a qualidade de vida dos moradores da região. Os proprietários de terra estão sendo incentivados, por meio do apoio financeiro, a proteger as suas áreas com florestas e nascentes, a aumentar a cobertura vegetal de suas terras, adotar ações de saneamento ambiental e promover práticas conservacionistas de solo e recuperação de áreas degradadas.

De acordo com o coordenador técnico do projeto, Satio Kayukawa, a ideia surgiu em 2005, quando algumas autoridades municipais passaram a ficar inconformadas com as exigências da Promotoria do Meio Ambiente e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para que os produtores rurais do município - minifundiários, em sua grande maioria - estivessem totalmente de acordo com a legislação ambiental, ainda que às custas de perda de renda e dificuldades econômicas. 'Decidimos premiar com dinheiro aqueles que faziam tudo direitinho e que mantinham a propriedade de forma ambientalmente correta'.