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PECUÁRIA

Na montagem do boi, confina quem precisa de melhor custo e eficiência

A pergunta que não quer calar é qual o perfil dos pecuaristas que estão mantendo o crescimento do volume de animais terminados nos confinamentos

29 agosto 2022 - 11h54Por DBO Rural

Por dados do Censo de Confinamento da DSM, a estratégia de terminar bovinos de forma intensiva, no Brasil, só cresceu e por taxas médias de 5% ao ano, desde 2015. Enquanto isso, o número de bovinos abatidos, no geral, foi de 27,54 milhões em 2021 (queda de 7,8% em relação a 2020 e 15% para 2019).

No entendimento de Alcides Torres, consultor e diretor da Scot Consultoria, de cara os números mostram o quanto a estratégia vem se consolidando no País como ferramenta de profissionalização, redução de ciclo e fonte de produção de uma carne de maior qualidade. Já em relação aos perfis de pecuaristas que estão se valendo dela, ele atenta para algumas demandas.

“A terceirização da terminação de animais em sistema intensivo é uma tendência crescente desde o pico da pandemia em 2020. No ano passado, alcançou seu pico quando os custos de produção, principalmente da dieta, encareceram muito e os contratos de entrega de animais ao abate passaram a não ser celebrados”, situa Torres.

Em relação aos gastos, para o especialista é fácil compreender que as grandes estruturas de confinamento, muitas hoje vinculadas à grande indústria frigorífica, apresentam maior poder de barganha nas suas compras, pois “adquirem os insumos em escalas bem maiores”; portanto, “mais em conta”.

Na prática, comprar quatro carretas de milho é uma coisa; comprar 40 delas é outra bem diferente, até pela logística. Então os menos abastados – pequenos e médios pecuaristas – nesse momento, “preferem entregar seus animais para os boitéis fazerem o serviço, sob alguns modelos de parceria”. Tais modelos de negócio dão agilidade ao sistema e permitem uma reposição mais fluente.

Na verdade, confina quem já se dá bem com a ferramenta e, por esse ou aquele motivo, precisa se valer dos boitéis, obviamente reconhecendo as vantagens de sua profissionalização na especialidade terminação. “A estratégia tende a se consolidar no futuro, não mais por preços, mas pela eficiência do modelo”, ressalta o consultor.

Profissionalização das etapas

Especialização, aliás, é uma forte tendência nas várias etapas da bovinocultura de corte. O segundo motivo foi o rompimento de contratos, na medida em que os custos inviabilizaram muitos ciclos de engorda, vários contratos não foram cumpridos. Os bois não chegaram ao gancho. E quem não entregou ainda teve de pagar multa. Já quem não recebeu ficou sem o alimento para fazer chegar ao consumidor.

Então, como a roda precisar girar, muita gente desistiu de confinar em casa e foi buscar a segurança dos boitéis. Além disso, nos confinamentos de frigoríficos, principalmente, muitas vezes os animais já entram para a engorda com um seguro, obtido por meio do contrato a termo, venda no mercado de opções etc.

A MFG Agropecuária é uma empresa que figurou em segundo lugar entre as maiores do segmento, de acordo com levantamento da edição de agosto de 2022 da Revista DBO, e possui mais de 520 parceiros na engorda de animais, por todo o Brasil.

Vanderlei Finger, gerente de compras de animais da confinadora do Grupo Marfrig, explica que basicamente todos são pecuaristas. Porém, olhando casos a caso, dá para destacar, por exemplo, que há um perfil mais investidor, aquele que têm seus próprios rebanhos na fazenda, mas compram animais de terceiros para serem entregues e terminados pela MFG. Para Finger, “esses vislumbram ganhos, apenas”, embora 2022 não se tenha mostrado tão atraente.

Eficiência e qualidade

Há ainda aqueles que estão buscando a intensificação de seus sistemas e os que precisam mesmo de uma retaguarda, socorro. Todos querem maior rentabilidade, mais produtividade medida em @/ha/ano, e produzir carcaças com mais qualidade. É aqui, no primeiro grupo, onde aparecem com força os recriadores, cada vez mais profissionalizados.

Vista aérea da Captar Agrobusiness, no oeste baiano, região com fartura de insumos para engorda de bovinos. Esses estão comprando bem os bezerros de trabalho e colocando estrutura própria para recriar com cada vez mais com tecnificação. Querem agilidade e bons ganhos. Ao final da recria, agora em 12 a 14 meses e não mais em dois anos, precisam desovar a produção e arrumar espaço na fazenda para ocupar rapidamente, novamente.

“A alternativa é vender para os terminadores em regime de pasto ou em confinamentos”, afirma Danilo Figueiredo, zootecnista e diretor de operações da Captar Agrobusiness, empresa atuante em Luiz Eduardo Magalhães (BA) que, em 2022, terminará 80 mil cabeças.

Para Figueiredo, esses pecuaristas podem ainda fazer parcerias de engorda. Tais agentes são aqueles que deixaram de terminar o gado no pasto próprio, por ser “fim de linha” para ele. Sua contribuição na cadeia foi realizada. A etapa seguinte agora é com um terceiro que a realizará melhor e mais rentável para todos.

Na terminação, eles entregaram bovinos com até 12 ou 13 arrobas de peso, tendo em vista o modelo intensivo como o melhor caminho para garantir o “boi china”, bovino abatido entre 20 e 21 arrobas finais (animais de até 4 dentes), condição que na engorda a pasto nem sempre é possível.