Menu
Busca sexta, 07 de agosto de 2020
Busca
(67) 99826-0686
Campo Grande
30ºmax
18ºmin
Notícias

Movimento se perde entre críticas ao governo e entidade

19 abril 2010 - 00h00Por Campo Grande News, por Fernanda Mathias e Dênis Matos.

O bloqueio de sem-terra da Fetagri (Federação dos Trabalhadores de Agricultura), que deixou motoristas irritados na MS-060, entre Campo Grande e Sidrolândia, também foi marcado pela divergência até na motivação.

Enquanto alguns participantes pediam celeridade nos processos de desapropriação e na reforma agrária, de um modo geral, outros criticavam a própria entidade, alegando favorecimento de parentes de lideranças.

Segundo a Polícia Militar Rodoviária, o bloqueio começou ás 6 horas e envolve 300 manifestantes nos dois lados da pista. A fila é de quase dois quilômetros e os sem-terra só abrem a pista para casos esporádicos, em que há crianças doentes nos carros e carga perecível.

O deputado Pedro Kemp (PT), está no local, conversando com os manifestantes. A principal reivindicação era a presença da mídia televisiva.

Dentre as fazendas apontadas por eles como incluídas do projeto de reforma agrária mas que ainda não foram desapropriadas estão a Brejão, Araraquara, Luana e Alvorada.

Carlos Antônio de Oliveira, 53 anos, disse que a intenção do movimento é de chamar atenção do governo e das autoridades. Já a acampada Mandega Haak da Silva, 65 anos, fez uma denúncia contra a própria Fetagri.

Ela disse há três anos espera para ser assentada e que consultou o cadastro do Incra, onde constatou que seu nome já havia sido aprovado, para receber lote mas, segundo ela, lideranças passaram o lote para parentes. Mandega reclama que no último ano pagou R$ 350,00 em mensalidades ao movimento.

Silvana Souza da Silva, de 53 anos, disse que sua espera já demora cinco anos. Ela diz saber que o Incra comprou terras, mas que existem etraves relacionados à documentação apresentada pela entidade.

Já José Antônio da Silva, que afirma esperar há 12 anos por um lote, sete deles quando morava no Mato Grosso, criticou a ação da Polícia Militar. “Esses PMs estão chamando a gente de vagabundo, mas a gente quer terra para plantar para eles comprarem a comida depois”

Irritação – Retidos na rodovia, condutores não escondiam a irritação com o bloqueio.

O bancário Firmo Vargas, 53 anos, saio de Sidrolândia com duas crianças doentes e disse que tinha consulta marcada na Cassems, mas os sem-terra diziam não iam liberar a passagem porque “foi sem educação”. Por fim, acabaram deixando o veículo passar.

Já Raul Veríssimo Machado permaneceu retido com a esposa Maria Margarida Cruz, que tinha consulta marcada na Capital porque está com quadro de vômito e diarréia. Como a consulta estava marcada para às 7h30, ele acredita que não será mais atendido.