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Genética

Motivos para se investir na clonagem

25 fevereiro 2010 - 00h00

A clonagem no Brasil data de 2003, não é novidade. Mas um fato que aconteceu no fim do ano passado tira a técnica dos laboratórios de cientistas e a coloca à disposição dos pecuaristas. Em setembro de 2009 nasceu a bezerra Divisa Mata Velha NT 1, que foi o primeiro clone registrado pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu).

Isso foi possível graças a uma parceria público privada (PPP) entre a empresa Geneal Genética Animal e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Para Ricardo Marchetti, gerente comercial da Genal, o feito abre caminho para a popularização da Transferência Nuclear (TN) -mais conhecida como clonagem. “A tendência é que a técnica fique cada vez mais barata, chegando sendo acessível para a maioria dos produtores”, prevê Marchetti. “Então, quem tem três, quatro, cinco animais de boa capacidade genética vai poder duplicar a produtividade desses indivíduos sem ter de gastar muito”, exemplifica.

Além disso, a clonagem também serve como uma espécie de cópia de segurança em caso de morte ou impossibilidade reprodutiva de um bom exemplar. Se, por exemplo, acontece um acidente com um touro e ele perde sua capacidade gerar filhos, ou morre, aquele potencial genético vai continuar vivo em seu clone. “Mas, caso o produtor queira pensar um pouco mais antes de fazer uma clonagem, nós podemos ir à fazenda coletar o material, que é apenas um centímetro quadrado de pele, ela é processada e pode ficar congelada por mais de 60 anos.E tudo isso tem um custo extremamente baixo, apenas R$ 2 mil por exemplar”.

Toda a clonagem em si é um pouco mais cara, cerca de R$ 50 mil. “Mas nós damos garantia. O bezerro só sai da nossa fazenda com sessenta dias de vida e capacidade reprodutiva atestada”. Todas as etapas do procedimento são feitas na propriedade da Geneal, inclusive a vaca receptora também é oferecida.

Outra possibilidade que se abriu com a certificação da Divisa Mata Velha TN 1 foi o fim da clandestinidade de alguns indivíduos que já foram clonados. “A gente sabe que tem pecuarista clonando seus animais, mas os embriões, ou sêmen deles recebem a genealogia do original, agora, será possível registra a cópia”.

Dentro de pouco tempo a tecnologia deve ficar ainda mais barata se tornando quase que uma prática comum nas fazendas. Marchetti ainda não sabe o quanto mais barato isso deve ficar porque a Transferência Nuclear ainda não está totalmente dominada. “Nós sabemos o que dá errado, mas não temos ideia do porquê acontece.

Logo, é muito difícil de se resolver todos os problemas da clonagem”. Rodolfo Rumpf, pesquisador da Embrapa, que integra o grupo de pesquisadores da entidade responsável pela clonagem de bovinos no Brasil, disse que por um tempo até foi contra o registro dos animais clonados, mas percebendo que a prática era inevitável mudou de opinião. “Pelo menos, com o registro, a gente vai ter como fazer o controle, e é uma forma dos criadores saírem das sombras. Hoje sou completamente favorável a normatização na clonagem e de seu desenvolvimento”. (JL)