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AGRICULTURA FAMILIAR

Missão da FAO conhece tecnologias da Embrapa para a produção de algodão

Os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer uma série de máquinas e implementos desenvolvidos pela Embrapa e parceiros

16 agosto 2022 - 08h59Por Embrapa

A Embrapa Algodão recebeu nesta quinta-feira (11), uma delegação formada por representantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO/ONU) e da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério de Relações Exteriores (ABC/MRE) numa missão técnica à Paraíba com o objetivo de conhecer as inovações e tecnologias a serviço da cadeia do algodão na agricultura familiar. A missão é parte das ações do projeto de cooperação Sul-Sul trilateral +Algodão, que integra as ações do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO.

A delegação composta por Rafael Zavala, representante de FAO no Brasil,  Adriana Gregolin, coordenadora regional do projeto +Algodão, e Cecilia Malaguti, responsável pela Cooperação Sul-Sul Trilateral com Organismos Internacionais pela ABC/MRE, foi recebida chefia-geral da Embrapa Algodão e equipe técnica envolvida no projeto. Também esteve presente o diretor de Assistência Técnica da Empaer-PB, Jefferson Morais.

Os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer uma série de máquinas e implementos desenvolvidos pela Embrapa e parceiros, com foco em minimizar o esforço do homem do campo nas atividades da lavoura. “A FAO, com muita visão, aportou recursos buscando melhorar a qualidade de vida dos pequenos produtores. Com as tecnologias desenvolvidas ou aperfeiçoadas no âmbito do projeto, nós poderemos contribuir para reduzir o esforço dos pequenos produtores e aumentar a produtividade para viabilizar a produção de algodão no Semiárido e nos demais países membros da cooperação”, disse  Alderi Araújo, chefe-geral da Embrapa Algodão.

Entre os equipamentos apresentados estavam cultivadores para preparo do solo adaptados para pequenas propriedades, plantadeira adaptada ao cultivo de sementes de algodão orgânico, miniusina de beneficiamento de algodão e deslintadora de algodão por flambagem (equipamento que retira o excesso de fibra da semente para viabilizar o cultivo com plantadeiras). Outra importante contribuição da Embrapa Algodão no projeto é o protótipo da máquina de colheita de algodão de uma linha, especialmente adaptado para uso em pequenas superfícies para atender às necessidades dos pequenos produtores de algodão, já testada no Brasil e atualmente encontra-se em validação no Paraguai.

Algodão significa segurança alimentar

Para o representante da FAO no Brasil, um dos méritos do projeto foi ressignificar a cultura do algodão para a agricultura familiar. “A agricultura é mais que alimentos, é segurança alimentar, e o algodão significa segurança alimentar. Há outras atividades como o artesanato, que são agrícolas, mas não diretamente alimentares, mas que significam segurança alimentar porque significam acesso econômico aos alimentos, não o acesso físico”, afirmou Rafael Zavala. “O acesso aos alimentos pode ser físico, mediante o consumo da produção, e outro acesso é o econômico. No caso do algodão e do artesanato, são atividades muito importante para as mulheres. A maior parte da atividade econômica do artesanato e do algodão na agricultura familiar é das mulheres, então é uma questão de gênero importante”, explicou.

Zavala também reforçou a importância da Embrapa como instituição. “Em países como o México, Colômbia e outros da América Central, as instituições de pesquisa como a Embrapa praticamente desapareceram. O estado brasileiro se preocupou por manter a instituição e essa foi uma grande lição do Brasil para a América Latina. O que estamos fazendo é exportar a importância de apoiar a pesquisa aplicada na agricultura e na alimentação”, declarou. “O Brasil tem sido um laboratório de políticas públicas para agricultura familiar e, neste caso, a Embrapa é um laboratório de inovação no desenvolvimento das famílias vinculadas à produção de algodão. Esse tipo de tecnologia economiza tempo para as famílias e isso é maior qualidade de vida para as áreas rurais”, acrescentou.

10 anos de cooperação

Por sua vez, Cecilia Malaguti (ABC/MRE) lembrou que o programa está completando dez anos de existência e teve início a partir de recursos do contencioso do algodão, por meio do qual o governo brasileiro alocou recursos financeiros para desenvolver projetos na América Latina e na África. “Dentro das demandas, que foram identificadas nos primeiros cinco anos do programa, percebemos que novas tecnologias voltadas para o pequeno produtor seriam essenciais. Por isso, nós firmamos a parceria com a Embrapa para desenvolver tecnologias em favor do pequeno agricultor. Hoje, nós estamos vendo parte dessas tecnologias de colheita, de plantação e de deslintamento, além do protótipo da colheitadeira, que está sendo validado pelos países da região. Nós consideramos que essas pequenas inovações podem e vão fazer diferença para o pequeno produtor tanto da América Latina, quanto da África”, vislumbrou.

Segundo Malaguti, apesar das tecnologias terem sido desenvolvidas para a América Latina, há previsão de serem compartilhadas também com os países da África. “Acreditamos que o impacto gerado por esses equipamentos será muito superior ao que inicialmente nós estimávamos. E nós vamos mostrar os resultados desses dez anos de parceria no Congresso Brasileiro do Algodão”, adiantou.

Na sexta-feira (12) e no sábado (13) a delegação também visitou o Instituto Nacional do Semiárido (Insa); reuniu-se com a Diretoria da Empaer-PB; conheceu a experiência “Algodão Paraíba”, no município de Ingá; visitou a Associação Brasileira da Indústria da Moda Sustentável (ABRIMOS); visitou o Instituto “Casaca de Couro”, uma experiência de integração público-privado e, por fim, conheceu experiências de organizações de mulheres artesãs e de comercialização de produtos orgânicos e agroecológicos da Rede Borborema de Agroecologia, no município de Remígio.

Saiba mais sobre o projeto +Algodão

O projeto +Algodão é executado desde 2013 de forma conjunta pela FAO/ONU e ABC/MRE com o objetivo promover o desenvolvimento sustentável da cadeia do algodão latino-americana. Mobiliza uma rede regional de mais de 90 instituições do setor público e privado que unem esforços para fortalecer a cadeia de valor do algodão. Sete países parceiros participam desta iniciativa: Argentina, Bolívia, Equador, Colômbia, Haiti, Paraguai e Peru.

Promove sistemas de produção sustentáveis e inclusivos, desde uma perspectiva integral da cadeia de valor do algodão para a promoção do desenvolvimento rural, promovendo a agregação de valor, o comércio justo e a promoção do sistema agro têxtil. Por meio do projeto, são geradas oportunidades de troca de conhecimentos e experiências, fomentado o acesso a mercados, promovidas inovações tecnológicas e de gestão agrícola, a partir de uma perspectiva de sistemas agroalimentares, onde os sistemas diversificados de produção contribuem para a segurança alimentar e nutricional das famílias algodoeiras nos territórios mais vulneráveis. Além de ser uma oportunidade para negócios inovadores em países parceiros.