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Linha de crédito oferece R$ 2 bi, mas produtores desconhecem

16 maio 2011 - 10h31Por Globo Rural
Linha de crédito oferece R$ 2 bi, mas produtores desconhecem

Tem dinheiro no banco, a juros baixos e para fazer uma produção mais adequada ao meio ambiente. Mas o produtor rural não sabe e não foi atrás. Em um país onde “o cobertor é curto” para financiar o agronegócio, está sobrando dinheiro em uma linha de crédito voltada especificamente para aquilo que tende a ser o “calcanhar de aquiles” do setor: a sustentabilidade ambiental. Criado em junho do ano passado, o Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono) tem R$ 2 bilhões que ainda não foram usados.

Cada agricultor pode contratar até R$ 1 milhão, com juros de 5,5% ao ano e prazo que varia de oito a 15 anos, com carência de seis meses a três anos. O limite de financiamento independe de outros créditos concedidos ao amparo de recursos controlados do crédito rural. O dinheiro deve ser utilizado para recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária, plantio direto, florestas comerciais ou recomposição de reserva legal e áreas de preservação. A pouca divulgação do programa – o governo está preparando uma campanha publicitária – é apontada como uma das causas da falta de demanda pelos recursos.

Há ainda a burocracia: é preciso – para que o governo tenha controle do uso efetivo do recurso e da obtenção das metas – um projeto técnico. E o fato de existirem linhas de financiamento mais antigas, mais conhecidas (e com juros mais altos), voltadas para a mesma finalidade, como o Produza e o Programa de Plantio Comercial e Recuperação de Florestas (Propflora), também pode reduzir a demanda pelo ABC.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento afirma que está fazendo sua parte: divulgando o programa por meio do treinamento de técnicos e da criação de comissões estaduais que conduzirão o programa localmente – além da futura campanha publicitária. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) diz, por meio da assessoria de imprensa, que é o produtor quem não está procurando o programa. Para José Carlos Vaz, diretor de agronegócios do Banco do Brasil, são diversos os fatores, inclusive o cultural, que estão afetando o ABC.

“As tecnologias abrangidas pelo programa são relativamente novas e os itens financiáveis vinham sendo apoiados financeiramente pelas diversas linhas de crédito de investimento já disponíveis anteriormente.” Ele também acredita que alguns produtores esperam a definição do novo Código Florestal, em trâmite no Congresso Nacional, e que os empresários precisam ter evidência da relação custo-benefício para assumir o risco do investimento.

“A maioria dos produtores não conhece essas linhas de crédito e, além disso, quando o ABC foi lançado, muitas instituições não sabiam como operacionalizar”, diz Maria Eloá de Souza Rigolin, diretora da consultoria Produzoo, especializada em projetos de integração lavoura-pecuária-floresta.

O objetivo é fazer com que a  agricultura brasileira saia de um modelo convencional para um com sustentabilidade –e sem redução de produtividade “Queremos aliar a produção de alimentos e bioenergia com a diminuição dos gases de efeito estufa e contribuir para a redução do desmatamento”, diz Vaz. O resultado, de acordo com as metas do Ministério da Agricultura, seria a recuperação de 15 milhões de hectares de área degradados, o uso de 8 milhões de hectares com plantio direto, outros 3 milhões de hectares com o plantio de florestas e cerca de 4 milhões de hectares com a integração lavoura-pecuária-floresta até 2020. O programa faz parte da Política Nacional de Mudança do Clima, que quer compatibilizar o desenvolvimento econômico-social com a proteção do sistema climático e a redução das emissões de gases que causam o efeito estufa.

Vaz explica que podem acessar a linha produtores rurais, tanto pessoa física quanto jurídica, e suas cooperativas. Os recursos devem ser usados em investimentos como georreferenciamento e regularização ambiental, aplicação e incorporação de corretivos agrícolas, adubação verde e plantio de cultura de cobertura do solo, aquisição de sementes e mudas para formação de pastagens, culturas e florestas, construção e modernização de benfeitorias e de instalações, entre outros.