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Justiça determina afastamento de Wesley e Joesley Batista de mercados e direção de empresas

08 setembro 2016 - 18h56Por Reuters e O Estado de São Paulo
Justiça determina afastamento de Wesley e Joesley Batista de mercados e direção de empresas

A Justiça Federal de Brasília determinou o afastamento imediato dos irmãos e empresários Wesley e Joesley Batista, controladores de várias empresas incluindo a processadora de carnes JBS, de função de direção de qualquer empresa ou grupo empresarial.

A medida cautelar, que envolve outras 38 pessoas, se refere a operação Greenfield, da Polícia Federal e o Ministério Público Federal, que apura um esquema de corrupção envolvendo os principais fundos de pensão de empresas estatais do país. Os passaportes dos empresários também foram retidos para evitar que eles deixem o país sem autorização judicial.

“Essas medidas alternativas à prisão me parecem, que por ora são suficientes para minimizar ou fazer cessar as atividades ilícitas e salvaguardar a ordem pública e econômica”, disse o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara, em sua decisão.

O empresário Joesley Batista, desembarca no Brasil no domingo e será ouvido pela Polícia Federal na segunda-feira. Os advogados dele informaram aos policiais que Joesley está nos Estados Unidos. A Justiça concedeu contra ele mandado de condução coercitiva. Também houve buscas em endereços dele e do irmão, Wesley Batista.

Existem suspeitas de que investimentos dos fundos de pensão Funcef (Caixa Econômica) e Petros (Petrobrás) foram feitos para beneficiar a Eldorado Celulose, empresa do grupo J&F, no valor de R$ 544 milhões. Divididos igualmente entre os dois fundos.
Na próxima semana, o ex-presidente da Funcef Carlos Alberto Caser também deve se entregar.

OUTRO LADO
“O grupo J&F, com 63 anos de história, 150 mil colaboradores e 50 mil fornecedores no Brasil, reitera que sempre esteve à disposição das autoridades e que sua relação com os fundos de pensão sempre se pautou pela ética e pfela impessoalidade.

Informamos que a participação de Petros e Funcef na Eldorado Celulose vale hoje cerca de R$ 3 bilhões, segundo laudos de duas renomadas auditorias independentes. Esse valor é cerca de seis vezes maior do que o investido por eles em 2009, que foi de R$ 550 milhões.

Lamentamos a forma pela qual a companhia foi exposta. Estamos empenhados para impedir que isso venha a causar prejuízos a nossos colaboradores, suas famílias, parceiros e investidores.
Estamos confiantes de que, juntos, trabalharemos pela continuidade do crescimento sustentável da J&F e de todas as suas empresas.”

Reestruturação da JBS preocupa investidores
Um possível atraso na reestruturação societária da JBS e a percepção de obstáculos no refinanciamento da dívida da empresa são as principais preocupações do mercado em relação à JBS, após a operação Greenfield, que investiga “gestão temerária e fraudulenta” nos fundos de pensão estatais brasileiros. Apesar de não envolver a processadora de carnes diretamente, a investigação tem como alvo a Eldorado Celulose, empresa controlada pela mesma holding, a J&F.

Após a ação da companhia cair mais de 10% no pregão de segunda-feira e 1,7% nesta terça-feira, 6, bancos rebaixaram a recomendação da JBS e alertaram sobre os possíveis riscos que a envolvem. As investigações levantam temores sobre alterações no cronograma da reestruturação societária e a consequente abertura de capital da JBS Foods International na Bolsa de Nova York (Nyse).

Relatório do Bradesco BBI, assinado pelo analista Gabriel Lima, afirma que há a possibilidade de atraso do processo de reorganização da empresa. A expectativa é de que o novo desenho fosse concluído até o quarto trimestre deste ano, com objetivo de melhorar a governança corporativa. O analista cita que a reorganização permitirá uma redução dos custos financeiros e estima que a taxa de desconto aplicada aos fluxos de caixa JBS poderia cair significativamente.

Também em relatório, o Itaú BBA afirma que o desenrolar do caso pode alterar o cronograma da mudança societária. A listagem da JBS Foods International foi o que sustentou os ganhos das ações recentemente, de acordo com o BTG Pactual. “Tememos, portanto, que este processo de listagem poderá sofrer atrasos se uma revisão geral de gerenciamento se revele necessária”, diz relatório.

Além da reestruturação, analistas citam a questão do endividamento da empresa. O Bradesco BBI afirma, em relatório, que a ação da Polícia Federal implica em uma percepção de aumento de risco do refinanciamento da dívida da companhia detida por bancos comerciais – R$ 18 bilhões de dívida de curto prazo a ser reconduzida para os próximos 12 meses.