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Japão: parceria poderá reduzir proteção tarifária à carne bovina

21 março 2013 - 00h00Por A reportagem é do Beefcentral.com, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

 O Japão pode sacrificar barreiras tarifárias que protegem seus produtores de carne bovina para se unir ao acordo de livre comércio chamado Parceria Transpacífica (TPP, sigla em inglês), sugeriu um ex-conselheiro do governo japonês. A administração do primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, lutaria para manter as tarifas sobre arroz, açúcar e lácteos, mas a carne bovina poderia ser sacrificada, disse o professor de ciências agrícolas da Universidade Nagoya, Shinichi Shogenji. Ele presidiu o painel de aconselhamento sobre segurança alimentar do gabinete japonês em 2007 durante o primeiro mandato de Abe como líder.

 
O Japão pode ser capaz de proteger cerca de 5% de seus bens totais nas negociações do TPP. A carne bovina poderá ser o setor mais fácil para se fazer concessão. As tarifas à carne bovina não são altas comparadas com outros itens e a carne bovina Wagyu é um produto de alta qualidade que não compete diretamente com as importações.
 
A eliminação da tarifa existente de 38,5% sobre a carne bovina importada poderia levar a um aumento de até 40% nas importações de carne bovina e ajudar os exportações nos Estados Unidos e na Austrália, entre outros membros do TPP, disse o gerente geral do Instituto de Pesquisa Norinchukin, Tetsuro Shimizu. Isso substituiria metade da carne bovina produzida domesticamente no Japão.
 
A eliminação da tarifa sobre a carne bovina iria pressionar severamente a indústria de carne bovina doméstica do Japão, altamente protegida. Atualmente, 42% de toda a carne bovina consumida no Japão é produzida domesticamente. Cerca de dois terços disso é derivado de novilhos de raça leiteira da grande indústria de lácteos do país, com o restante sendo de carne de maior qualidade Wagyu ou Wagyu cruzado com raças leiteiras.
 
Na sexta-feira (18), o primeiro ministro, Abe, confirmou que o Japão buscaria se unir às negociações do TPP para um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, Austrália e outras nações do Pacífico. Ele citou o TPP como a última chance do Japão de continuar sendo uma potência econômica na Ásia e de moldar o futuro da região.
 
O primeiro ministro Abe está fazendo uma política arriscada em abranger negociações comerciais, com forte oposição do lobby agrícola do Japão e outros grupos poderosos. A maior cooperativa agrícola do Japão fez campanha contra a liberação comercial, dizendo que essa mudança devastaria as fazendas do país. A maioria dos legisladores do Partido Democrático Liberal depende do voto rural e também é contra a união ao TPP. Atualmente, o Japão impôs tarifas de 778% sobre as importações de arroz, 328% no açúcar e 218% no leite em pó. A carne bovina é relativamente pouco protegida, com 38,5%.
 
 
O maior grupo de lobby de negócios do Japão, Keidanren, cujos membros incluem Toyota, Nippon Steel, Sony e Sumitomo, pediu que o Governo se unisse ao TPP para aumentar a competitividade dos exportadores do Japão. O grupo JA Group, maior organização agrícola, também está contra, pedindo um tratamento especial aos produtores agrícolas, incluindo a carne bovina. Em negociações bilaterais anteriores de acordos de livre comércio com países, incluindo Índia, Tailândia e Chile, o Japão foi bem sucedido na exclusão da carne bovina, junto com arroz, trigo, açúcar e produtos lácteos.
 
O TPP começou em 2005 com Brunei, Chile, Cingapura e Nova Zelândia, como um pacto para abrir comércio em bens, serviços e compras governamentais. As negociações desde então estenderam-se para Austrália, Estados Unidos, Canadá, Malásia, México, Peru e Vietnã.
 
Os Estados Unidos têm o objetivo de completar as negociações até o final desse ano, apesar da inclusão do Japão poder desacelerar esse processo, baseado nesse protecionismo. O Japão é o maior importador de carne bovina da Ásia, comprando 515.000 toneladas de carne bovina no valor de 221 bilhões de ienes (US$ 2,32 bilhões) no ano passado, mostram dados do Ministério da Agricultura japonês. A Austrália foi responsável por 62% dos envios, seguida por Estados Unidos, com 26%, e Nova Zelândia, com 6%.