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Incentivo político e logística adequada devem fomentar produção de biocombustíveis no Brasil

25 novembro 2012 - 01h08Por Agrodebate
Incentivo político e logística adequada devem fomentar produção de biocombustíveis no Brasil

 A falta de incentivo político e a logística inadequada para fazer o escoamento da produção são fatores impeditivos para o desenvolvimento no setor de biocombustíveis na região Centro-Oeste. Principalmente em Mato Grosso, os empresários do segmento não veem outra saída para investir nas usinas flex - que produz combustível com outros tipo de matéria-prima além da cana-de-açúcar - se não for resolvidos esses gargalos. O assunto foi debatido durante a apresentação do Workshop de Plantas Flex, realizado nesta sexta-feira (23), em Cuiabá. 

"Temos potencial para aumentar a produção e tecnologia suficiente para atender essa demanda, mas não temos uma política que aponte o tamanho da matriz energética brasileira", diz o presidente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool), Piero Vicenzo Parini. Segundo ele, é necessário saber o tamanho do mercado para que os investimentos ocorram. Para ele, o uso do milho como alternativa para gerar combustível é uma alternativa que poderia resolver a ociosidade das indústrias do estado. 

Estima-se que mais de 20% da capacidade de produção das usinas de Mato Grosso não estejam em atividade. "Considerando um potencial de 18 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e uma produção atual de 14 milhões de toneladas, significa que temos espaço para expandir", pontua o diretor executivo do Sindalcool, Jorge dos Santos.  Conforme ele, no país a ociosidade das indústrias é de 150 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Atualmente as unidades brasileiras produzem 520 milhões de toneladas de cana a cada safra. 

Além de ocupar as indústrias, o uso do milho no setor de biocombustível iria resolver outro problema: o excesso do grão no mercado provocando a queda no preço do produto. "O custo de produção e o frete são problemas que fazem diminuir a renda do produtor", ressalta o presidente da Associação dos Produtores de Soja no Brasil (Aprosoja), Glauber Silveira. Ele pontua que é preciso aproveitar o potencial produtivo do país. "Só não produzimos mais por conta da falta de logística", informa. 

Combustível de milho 

Apenas uma indústria no Brasil produz combustível a base de milho. A Usimat Flex, localizada no município de Campos de Júlio (MT) é a primeira usina a produzir etanol a base de canade-acúçar e milho. O gerente industrial da Usimat. Vital Nogueira, afirma que a unidade tem capacidade produzir 342 mil litros de etanol por dia utilizando 900 toneladas de milho/dia. 

O gerente de vendas da  Novozymes, empresa especializada na área de biotecnologia, Adalto de Almeida Júnior, pontua que um indústria flex é o caminho para resolver dois gargalos: o excesso de produção de milho e acabar com a ociosidade das usinas de combustível. Ele explica que o uso do bagaço de cana é necessário para gerar energia que produz o etanol de milho. "As indústrias precisam avaliar o que compensa mais, se é transportar a produção de milho ou de etanol". 

Além disso, ele destaca que o custo de adaptação das indústrias já existentes varia de R$ 15 milhões a R$ 25 milhões. "Mas cada caso precisa ser analisado. É preciso ver, por exemplo, se há volume de bagaço suficiente para gerar energia". Mesmo assim, Almeida diz que algumas indústrias da região Centro-Oeste já demonstraram interesse pela usina flex.