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Governo planeja importar etanol para driblar preço alto

21 outubro 2009 - 00h00Por Diário do Comércio & Indústria

A alta nos preços do etanol, que podem chegar a atingir o patamar de R$ 1,90 o litro nos postos em dois meses e perder a competitividade em relação a gasolina, está pressionando as indústrias brasileiras a abrirem mercado ao produto importado. A possibilidade, que enfrenta resistência das usinas instaladas no País, já é analisada pelo governo que avalia a negociação como parte do processo de abertura do mercado mundial. Durante Conferência Internacional da Datagro sobre Açúcar a Álcool, Manuel Bertone, secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), destacou que a depreciação do dólar frente ao real fez com que a comparação do produto brasileiro com o norte-americano na última semana chegasse a um patamar que viabiliza a importação. Segundo Bertone, a iniciativa do Brasil em fomentar a produção em outros países para que seja criado um mercado mundial de etanol pode fazer com que o País seja chamado a mostrar que seu mercado também está aberto. "Pode ser que os norte-americanos queiram exportar etanol para a gente. Temos que ter uma política para isso e cabe a nós, governo federal, pesar isso", disse o secretário do Mapa para uma plateia formada por lideranças do setor. De acordo com Bertone, a provocação foi feita com o intuito de que a iniciativa privada comece a participar ativamente da criação de um marco regulatório. "O marco regulatório não é viável pela própria natureza. É necessário política pública e a parceria do setor", afirmou.

A chance de o Brasil vir a adquirir etanol no mercado externo tomou força após a consulta feita pela trading ADM sobre custos logísticos de se importar etanol dos Estados Unidos para o nordeste brasileiro. O álcool adquirido seria o anidro, utilizado na mistura com a gasolina. A rápida comercialização do produto, desde a entressafra, reduziu os estoques brasileiros e fez com que o avanço da safra resultasse numa escalada de preços. Para o consultor Plínio Nastari, da Datagro Consultoria, será justamente a continuidade dessa alta que irá regular o mercado e dissolver a necessidade de o governo reduzir a mistura do anidro na gasolina. Segundo Nastari, o preço do etanol hidratado deve atingir R$ 1,90 por litro nos postos de combustíveis do Estado de São Paulo em cerca de dois meses. O valor apontado seria o limite para que o produto continue competitivo em relação à gasolina. "O consumo mensal de etanol no Brasil deverá cair de 1,45 bilhão de litros para 1,01 bilhão de litros com esta alta", avaliou Nastari. O ajuste entre oferta e demanda deverá permitir que os estoques efetivos de etanol no final da safra 2009/2010 fiquem em 1,22 bilhão de litros, volume próximo a um mês de consumo. Ainda segundo o especialista, a partir do limite psicológico de R$ 1,90 o litro os preços devem iniciar um processo de desaceleração. "Abastecer o mercado é um ponto crítico para o mercado e ele vai honrar seus compromissos", disse.

A atual conjuntura de clima e demanda sinaliza que a escalada de preços deve continuar. Segundo pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esta é a sexta semana consecutiva de alta no estado de São Paulo. Os valores tanto do anidro quanto do hidratado são os maiores, em termos reais, desde abril de 2007. "A fundamentação dos aumentos está tanto na oferta quanto na demanda. Do lado da oferta, as chuvas frustraram a expectativa de produção. Mesmo que a colheita venha a se estender no final do ano, as perdas já estão consolidadas", avaliam os pesquisadores.

Na semana de 13 a 16 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado combustível (em São Paulo) foi de R$ 0,9340 o litro, livre de impostos, alta de 3,7% sobre o do período anterior. Para o etanol anidro (misturado à gasolina), o Indicador foi de R$ 1,0793 o litro, também sem impostos, o que equivale a um aumento de 1,73%.

O incremento dos preços na usina repercute na bomba. De acordo com levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pela primeira vez no ano, na última semana o uso do etanol hidratado deixou de ser vantajoso em relação a gasolina na maioria dos Estados brasileiros. Em 14 Estados o uso da gasolina compensou mais ao consumidor, enquanto o álcool ainda é aconselhável em 11 estados e no Distrito Federal, considerados os preços médios do combustível.