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Frigoríficos brasileiros acumulam prejuízo de US$ 100 milhões por rejeição de cargas

09 novembro 2011 - 10h48Por Canal Rural

Os frigoríficos brasileiros exportadores de carne bovina acumulam prejuízo de US$ 104 milhões decorrente da rejeição de cargas por parte dos Estados Unidos devido à presença de resíduos de medicamentos antiparasitários à base de avermectina acima dos limites tolerados pelas autoridades norte-americanas. A informação foi prestada nesta terça, dia 8, pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carne (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, em audiência pública na Comissão de Agricultura na Câmara dos Deputados.

A audiência reuniu representantes de todos os elos da cadeia de carne bovina para discutir os riscos da utilização de medicamentos da família das avermectinas, como a ivermectina, no controle de antiparasitários no rebanho brasileiro. Nas explanações, dois pontos comuns foram a necessidade de orientação dos criadores sobre os procedimentos para uso do medicamento e revisão dos prazos de carência de determinados produtos que, embora tenham concentrações do principio ativo semelhantes, os tempos de espera para o abate são diferentes.

Na opinião de Camardelli, as indústrias frigoríficas pagam o preço sem serem culpadas pela presença de resíduos de avermectina acima dos limites tolerados. O problema surgiu em maio do ano passado, quando as exportações para os Estados Unidos foram suspensas e retomadas no final de dezembro. Em agosto deste ano, um lote de carne exportada pelo JBS foi rejeitado.

Camardelli afirmou que neste ano as indústrias gastaram R$ 12 milhões em ações de controle, como visitas a fazendas e análises tanto de animais vivos como da carne processada.

– Mesmo assim não há certeza de que os resíduos irão atender aos padrões exigidos pelos Estados Unidos – diz Camardelli.

O presidente da Comissão Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, discorda que os criadores sejam os principais preocupados pelo excesso de resíduos do antiparasitário. Ele diz que, além do fato de o prazo de carência não ser padrão, desde que o medicamento foi introduzido no Brasil, em meados dos anos 80, as revendas de insumos associaram a comercialização da avermectinas à campanha de vacinação contra a febre aftosa.

Segundo Camardelli, o primeiro trimestre do ano é período de maior incidência de excesso de resíduos de avermectina. O pesquisador e chefe da Embrapa Pecuária de Corte, Cléber Soares, lembra que quando a as avermectinas foram introduzidas no Brasil existia a regra "579", que representava os meses indicados para uso do medicamento: maio, julho e setembro. Ele defende maior fiscalização e monitoramento, e alerta para a resistência às avermectinas em bovinos e ovinos.

Na audiência, os técnicos do Ministério da Agricultura afirmaram que os laboratórios são responsáveis pelas informações dos produtos registrados, que devem ser testados por instituições de pesquisa, como universidades. O coordenador do Controle de Resíduos e Contaminantes (CRC) da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Leandro Feijó, afirmou que as análises mostraram excesso de resíduo, principalmente em 2009, quando atingiu 4,13%. No ano passado a incidência caiu para 1,56% e neste ano subiu para 2,34%. Feijó acredita que a média vai fechar o ano em 3%. Ele relata que o problema é mais sério em algumas regiões, como o oeste de Mato Grosso, o que mostra a necessidade de um trabalho sobre uso responsável.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM/RS), autor do requerimento da audiência, defendeu a realização de "um pente fino" nos registros dos medicamentos à base de avermectina. Ele defende que o assunto seja uma das prioridades da comissão no próximo ano.

O deputado Abelardo Lupion (DEM/PR) afirmou na audiência que irá solicitar uma comissão para investigar a alta dos preços dos insumos, como a vacina contra a febre aftosa. Pecuarista no Paraná, Lupion diz que enfrenta o problema da questão da carência dos medicamentos em sua fazenda, pois adquiriu produto para controle de berne que deveria ter ação de quatro meses, mas com dois meses e meses o gado estava novamente infestado.