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Fechamento do Frialto faz arroba do boi cair no norte Mato Grosso

28 maio 2010 - 00h00Por BeefPoint.

Como aponta o analista de pecuária do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) - órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) -, Otávio Celidônio, 42 municípios do norte do Estado tinham como opção ao abate uma das três plantas do Frialto, porém 15 destes terão agora apenas um grupo para negociar o gado, que em alguns casos será ou o Pantanal ou o JBS/Friboi. "No entanto, a capacidade de abate do médio norte mato-grossense, que escoava os bovinos para Sinop, ficou 100% comprometida, e para piorar houve um reflexo imediato após a paralisação dos abates. A arroba do boi naquela região desvalorizou R$ 1,60, tanto no norte como no médio norte, e R$ 1 na média mato-grossense, em apenas três dias".

O superintende da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, lamenta que o Frialto tenha recorrido à Justiça, e entrado para o rol de mais um grupo com a atividade ameaçada. "Até ontem enxergávamos um cenário, agora a recuperação é fato e vamos fazer de tudo para o Frialto volte a ser viável e reconquiste seu espaço no mercado. Porém, a quebradeira geral de pequenos e médios frigoríficos no Brasil é fruto da falta de políticas públicas que dêem suporte financeiro ao segmento. Será que antes de chegarem a esta situação, tanto o Frialto como o Quatro Marcos e o Independência, não foram atrás de crédito? Agora, fica para o mercado, melhor, para os pecuaristas o ônus de menos empresas em atividade e maior concentração de plantas nas mãos de poucos grupos, como vemos hoje aqui no Estado, com o Marfrig e o JBS/Friboi".

Apesar do tom da crítica, Vacari afirma que mais uma vez a entidade vai acompanhar o processo. "O Frialto é uma importante marca no Estado, é estratégica ao criador e sempre teve excelente postura. Vamos sentar juntos e viabilizar a melhor solução".

Segundo a Acrimat, a capacidade de abate bovino de Mato Grosso continua comprometida. Levantamento solicitado pela Associação ao Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que 33,67% da capacidade de abate do Estado esta comprometida, apesar dos acordos firmados nas Assembleias Gerais de Credores, dos frigoríficos Independência, Arantes e Quatro Marcos, que enfrentam processos de recuperação judicial. A capacidade total de abate no Estado segundo registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e Indea (Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso), é de 38.056 mil cabeças/dia, e hoje, 12.815 animais não têm onde ser abatidos. Das 40 plantas, apenas 23 estão funcionando.

Com o fechamento de três unidades do Frialto, a situação do pecuarista ficou mais delicada. O Frialto é responsável por 6,49% da capacidade de abate no estado, mas na região do Médio Norte ele corresponde a 58,26% e na região Norte é de 24,86%. "O fechamento dessas unidades do Frialto já reflete diretamente no preço da arroba do boi gordo, onde o pecuarista recebe de 2 a 3 reais menos pela arroba que nas demais regiões", comentou o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari. Ele ressalta que "a situação só vai reverter quando políticas públicas sérias forem voltadas para os pequenos e médios frigoríficos, que precisam de linha de crédito para fluxo de caixa".

A queixa de falta de recursos para os frigoríficos de menor porte é compartilhada pelo produtor rural e presidente da Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso (Acrinorte), Fernando Porcel. Indignado ele disse que "o BNDES libera recursos para os grandes frigoríficos sem limites, mas para os pequenos o procedimento é bem diferente. Nós conhecemos as barreiras de crédito enfrentadas pelo Frialto". Porcel disse que estão todos apreensivos esperando a divulgação do plano de recuperação judicial do Frialto. "Enquanto isto, estamos vendendo nosso gado pressionados pelas contas que estão vencendo, depois dessas contas pagas, vamos ver o que vamos fazer".

Na reposição, o indicador foi cotado a R$ 726,53/cabeça nesta quarta-feira, registrando desvalorização de 0,14% em uma semana. Em maio a variação acumulada é de +0,19%. Com estas variações a relação de troca melhorou, ficando em 1:1,84. Porém ainda está em um do níveis mais baixos da série história, evidenciando que está complicado realizar a a reposição do rebanho no momento.