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Nutrição Animal

Fabricar própria ração exige cuidados para se ter lucros na ovinocultura

25 fevereiro 2010 - 00h00

Fabricar a ração para o gado, uma medida que, se bem aplicada, pode representar corte de custo na hora de se produzir, principalmente no que diz respeito à criação de ovinos. A suplementação dos animais com ração resulta em mais precocidade, menos doenças e também melhor fertilidade do rebanho.

Mas, para conseguir bons resultados nesse sistema de produção, o pequeno produtor tem de pensar grande, ou seja, organizar o manejo, e ter muito cuidado com o que vai dar para a criação. “Se estamos falando de uma propriedade com quarenta animais, geralmente, não há nenhuma separação entre eles; matrizes, reprodutores e cordeiros estão todos no mesmo piquete”, exemplifica a professora Camila Celeste Ítavo, que dá aula nos cursos de veterinária e zootecnia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

“Primeiramente deve-se separar por idade, mas, se não for possível, a adoção do creep feeding será suficiente”, continua. Ela ressalta que o produtor tem de ter o foco no que chama de “ótimo bioeconomico”, ou seja, investir na proporção do retorno que vai ter. Como a criação de ovinos é focada, em grande parte, na produção de carne, o maior cuidado tem de ser com os cordeiros. “Se você ter ração para a ovelha ela vai te agradecer, mas você não terá lucro algum com isso”.

Logo, o mais correto é suplementar o cordeiro. “Para as matrizes bastam capim e um mineral”, comenta. O creep feeding é a suplementação do animal com ração em sua fase mais jovem, recém-nascido, quando tem melhor conversão alimentar, aproveita melhor os nutrientes que ingere. Para evitar que os animais adultos comam a ração é feita barreira em volta do cocho de forma que apenas os cordeiros consigam ter acesso ao alimento.

Organizada a fazenda, é hora de fazer a ração, o ideal é que ela tenha 22% de proteína o que é conseguido com a uma fórmula simples: 36 kg de farelo de soja, 62 kg de farelo de milho,1 kg de núcleo mineral e 1 kg de melaço. Mas, mesmo que o produtor saiba como fazer a mistura, a professora alerta que tem de haver o acompanhamento de um profissional da área, pois a adequação dos minerais é feita de fora individual, conforme a necessidade do rebanho.

Mais cuidados

Outro ponto que merece destaque aqui é a armazenagem e compra dos produtos. A professora explica que há micotoxinas produzidas por fungos, portanto, tem de se ter muito cuidado com a conservação do alimento, tanto a ração já preparada quanto com os ingredientes. “A umidade é a causa principal. A ração mal estocada pode dar isso, ou o milho que não secou direito também”, atenta, lembrado que a contaminação pode até matar os animais.

A compra da matéria prima é outro fator importante. “O produtor tem de saber a procedência do que dá para os animais. Milho, tem de diversos tipos, um para suinocultura, outro para avicultura, o que se encontra baratinho nas ruas por aí é o que foi rejeitado para outros animais”, destaca Camila. “Pode-se até compra o milho do vizinho, mas tem de se conhecer a qualidade”.

Para obter resultados que sejam economicamente sustentáveis o criador de ovinos deve estar atento para o controle zootécnico, que é conhecer a genealogia dos animais e o resultado que cada cruzamento dá. Isso é fundamental para se conhecer se a genética do rebanho é adequada para o corte. “Não vai adiantar nada dar ração para um animal que não tem boa conversão alimentar, ele não vai engordar”, explica.

Uma dica para evitar consanguinidade é separar os animais em dois piquetes, colocando um reprodutor em cada, dessa forma, na estação de monta, basta inverter os carneiros.