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Evento busca acordo entre ruralistas e ambientalistas

13 abril 2010 - 00h00Por Valor Econômico, por Mauro Zanatta.

Seminário liderado pelo empresário Guilherme Leal, co-presidente do conselho de administração da Natura e cotado para a vaga de candidato a vice-presidente na chapa da senadora Marina Silva (PV-AC), será realizado hoje (13) em Brasília, para tentar um acordo entre ruralistas e ambientalistas sobre a reforma da legislação ambiental e as alternativas de longo prazo para o agronegócio no país.

O Congresso discute há mais de um ano mudanças no Código Florestal. Em vigor desde 1965, o texto e seus remendos têm sido bombardeados por ruralistas e defendidos por ambientalistas como um escudo contra o avanço do desmatamento. Em jogo, está o afrouxamento das regras de exploração da terra e a autonomia dos Estados para legislar na área ambiental.

A organização do evento rejeita a ideia de que ele tenha objetivos partidários e diz que o encontro estava programado desde meados do ano passado. "É um seminário de viés econômico. Não é para ir contra nenhum setor, mas para estabelecer diálogos, sem embates diretos", afirma a coordenadora do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Daniela Lerda.

Criado há 14 anos, o Funbio é financiado por empresas como a Natura, fundações, ONGs, governos e órgãos multilaterais. A organização apresentará um amplo estudo, iniciado em maio de 2009 e conduzido pelo economista Sergio Schlesinger, com recomendações para o futuro dos segmentos de florestas plantadas, pecuária, soja e cana-de-açúcar. Duas alternativas são consideradas mais urgentes para resolver as divergências em torno da legislação ambiental brasileira: a integração dos estudos regionais e setoriais em um único zoneamento do território nacional e a aposta no sistema integrado de criação de gado, plantio de florestas e lavouras.

A criação de um único zoneamento nacional seria a primeira solução estruturante para definir quais regiões do país poderiam ser ocupadas com determinadas atividades agropecuárias. "É preciso conciliar as atividades e racionalizar isso com um zoneamento integrado, unindo planos estaduais e setoriais", explica Daniela.

O conceito de área degradada também será importante para esses avanços. Hoje, segundo a pesquisadora, nem o governo sabe a extensão das pastagens subutilizadas ou abandonadas no país. "Fala-se em 100 a 200 milhões de hectares degradados, dependendo da fonte. Falta mapeamento dessas áreas. A Embrapa não tem definição sobre o que é uma área degradada nem estimativas sobre o custo de recuperação dessas áreas.".

A integração lavoura-pecuária-florestas já está espalhada por 4 milhões de hectares no país, mas não avança por questões culturais e a falta de assistência técnica oferecida pelo governo. "Esse sistema não é novo, mas ainda é pouco difundido", diz Schlesinger. "Nesse sistema, o bezerro cresce mais rápido, o produtor economiza na recuperação de solo e reduz custos de produção com agrotóxicos." Schlesinger aponta a baixa escolaridade dos produtores e o reduzido investimento em ações de assistência técnica do governo como fatores negativos para a difusão do sistema inovador.

Estudos da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), indicam que a natalidade do rebanho aumenta de 60% para 85% com a integração. A idade de abate cai de 4 para um ano e meio e a taxa de abate sobe de 17% para 40%, além de o peso da carcaça aumentar de 200 para 230 quilos. A introdução de pastagem em rotação com a cultura da soja eleva em 14% a produtividade do grão e reduz em até 70% o consumo de agrotóxicos, indicam experimentos conduzidos pela Embrapa.