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Estrutura precária de portos prejudica crescimento do agronegócio

18 setembro 2013 - 15h17Por Agrolink
Estrutura precária de portos prejudica crescimento do agronegócio
Considerado o quarto porto em importância no país no início do século passado, hoje, o Porto de Antonina, no litoral paranaense resiste graças à importação de fertilizantes e exportação de açúcar no terminal privado da Ponta do Félix - que opera com características de Porto Organizado.
 
A região é uma área pública arrendada por 20 anos desde 1996. Em 2012, o porto registrou uma média de dez navios por mês, movimentação recorde desde 2007. Contudo, poderia ser ainda melhor, como nos tempos áureos, de sucesso nacional na década de 1940.  "A falta de estrutura portuária é obstáculo do agronegócio brasileiro do Século XXI. Precisamos resolver de forma rápida os gargalos logísticos para que a produção possa crescer de forma contínua. Este é o maior desafio do setor agrícola neste momento. Isto significa ferrovias, hidrovias, portos e estradas decentes", explica o diretor presidente da Ceagro, Paulo Fachin, grupo que hoje emprega 400 pessoas, espera plantar 65 mil hectares em seis estados brasileiros, somando milho e soja, na safra 2013 e conta com mais de mil clientes parceiros.
 
Essa falta de estrutura prejudica a região de Antonina. Ali seria necessária a construção de uma estrada de ligação entre a região portuária e a BR-277. Isso reduziria o trajeto dos caminhões em cerca de 30 km. Além da distância, a atual estrada utilizada (PR-410) obriga os caminhoneiros a passarem em trechos urbanos da cidade Morretes e da própria Antonina, prejudicando o trabalho dos profissionais de transporte de cargas e a rotina dos moradores da região. "Temos, no Brasil, grandes extensões de áreas sob pastagem degradada que podem garantir um crescimento sustentado de muitos anos, desde que tenhamos logística e infraestrutura para suportar este crescimento", completa Fachin.
 
O traçado da futura estrada já existe e começa no km 18 da BR- 277, sentido Paranaguá-Curitiba. No entanto, ainda não dá condições de caminhões trafegarem. Segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), soluções de preservação do meio ambiente precisam ser estudadas com cautela antes da construção de uma rodovia de 14 km de extensão. Uma das alternativas seria a adaptação da estrada em elevados para não comprometer Áreas de Preservação Ambiental.
 
Se essa estrutura não fosse deficitária, desafogaria o Porto de Paranaguá, principal do Paraná. O tempo médio de carga e descarga cairia de 20 para 12 dias. Outro ponto positivo seria a redução na quantidade de multas por atraso no embarque ou desembarque. Uma economia de cerca de US$ 10 milhões em um ano, segundo levantamento da Appa. Sozinho, o Porto de Antonina movimentou 1,15 milhão de toneladas de mercadorias, desde a retomada das operações em 1996. "Nós já vivemos inúmeras crises no agronegócio e nós brasileiros fomos chamados de caloteiros pela falta de estrutura. Acho que precisamos aproveitar esse momento para vender a imagem correta do que é o agronegócio brasileiro e a força que ele representa para a nossa economia. Para isso, precisamos nos estruturar", reforça o diretor presidente da Ceagro.
 
“Boom” cultural no Século XX
 
Moradores mais antigos da região garantem que Antonina já respirou cultura nas décadas de 20, 30 e 40. Estrelas da época de ouro do rádio e do teatro, como Carmen Miranda e Procópio Ferreira, visitavam a cidade na parada durante a viagem do Rio de Janeiro a Buenos Aires. "A agricultura, a exportação e importação estão diretamente ligados com a história do Brasil. Não podemos perder isso", lembra Paulo Fachin.
 
A produção cultural que teve o seu apogeu nos tempos áureos dos ciclos da erva-mate e do trigo em Antonina. Tudo começou em uma propriedade particular. O Porto Matarazzo funcionava a todo o vapor. Um complexo industrial considerado o mais moderno do país na época. Além do escoamento da produção, a farinha de trigo era produzida ali mesmo por mais de 3.000 funcionários. Colégio para as crianças, escola de samba para os foliões no carnaval, time de futebol, geração de energia elétrica, fornecimento de água e estrada de ferro, tudo isso estava ao alcance dos moradores.