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Empresa de aviação testará bioquerosene derivado da cana em 2012

19 novembro 2009 - 00h00Por Folha Online

O uso da cana-de-açúcar como matéria-prima para a produção de combustíveis chegará à aviação. Foi assinado nessa quarta-feira (18), no Rio, memorando de entendimentos para a produção de bioquerosene de aviação derivada da cana. A ideia é que o voo teste com esse tipo de combustível renovável seja feito em 2012, pela Azul Linhas Aéreas.

Firmaram intenções, no memorando, além da Azul, a Embraer, fabricante dos aviões E-Jet, usados pela companhia aérea; a GE (General Eletric), que fornece as turbinas dessas aeronaves para a Embraer; e a empresa americana Amyris Biotechnologies, que desenvolverá o bioquerosene.

Diretor-geral da Amyris, Roel Collier estima que a partir de 2013, já possa haver voos comerciais utilizando o combustível renovável. Ainda não está definido qual será o percentual do bioquerosene misturado ao QAV (Querosene de Aviação), que é derivado do petróleo. Mas o executivo calcula que será de, pelo menos, 20%, podendo chegar a até 50%.

Collier comentou ainda que a projeção atual indica que o bioquerosene derivado da cana será mais barato do que o QAV. Ele, no entanto, ressaltou, que tudo dependerá do comportamento dos preços das matérias-primas desses combustíveis.

"Além disso, o bioquerosene vai precisar passar por uma fase de desenvolvimento", afirmou.

Esse movimento em busca do bioquerosene está diretamente associado à busca de menores emissões de poluentes na atmosfera, ressaltou o diretor de Estratégias e Tecnologias para o Meio Ambiente da Embraer, Guilherme Freire. Atualmente, a aviação é responsável por 2% do gás carbônico deixado no ar. Com o ritmo de crescimento previsto para os próximos anos, essa proporção subiria para 3% em 2050.

Com o novo biocombustível, a expectativa é que as emissões caiam de 80% a 90%, se comparado ao QAV. Roel Collier acrescentou que os primeiros indícios apontam que o bioquerosene terá um aproveitamento energético superior ao do QAV.

"Outra vantagem seria reduzir a volatilidade do preço do combustível para uma companhia, devido às oscilações do petróleo. Os custos com combustível representam de 30% a 40% do total de uma empresa", observou.

Vice-presidente operacional da Azul, Miguel Dau disse que não estão previstos ajustes nos motores dos aviões da companhia para receber o bioquerosene. A previsão é que o voo teste utilize, em um tanque, o QAV; no outro, será colocado o combustível renovável.

Ele salientou que a utilização do bioquerosene, em escala comercial, dependerá do retorno econômico e operacional para a empresa.

"A qualidade tem que ser, pelo menos, igual. Não posso encher o tanque do meu avião e ter menos autonomia", afirmou.