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Em Hong Kong, mercados tiram carne brasileira antes mesmo de embargo

27 março 2017 - 14h02Por Folha de S. Paulo

O escândalo da carne no Brasil acordou o fantasma da contaminação alimentar em Hong Kong, terceiro maior comprador do produto do país, e fez os supermercados retirarem o item das geladeiras antes mesmo de o governo tomar providências.

No Wellcome do bairro comercial de Causeway Bay, na ilha de Hong Kong, nenhum aviso, mas carnes bovinas, suínas ou aves vindas do Brasil desapareceram das prateleiras.

A loja 24h de uma das maiores redes de supermercado do território chinês —com mais de 250 unidades— recolheu a mercadoria por conta própria, imediatamente após o anúncio do embargo às importações brasileiras na terça-feira (21).

Os produtos foram substituídos por ofertas frescas ou congeladas vindas da Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Dinamarca, França e Holanda. Além do preço, a etiqueta dos produtos leva, em muitos pontos de venda, nome e bandeira do país de origem.

O território chinês importa cerca de 90% de toda a comida que consome e sofre frequentemente com casos de alimentos impróprios.

"Não conseguimos eliminar completamente os perigos ocultos em termos de segurança alimentar", justificou o secretário de Saúde de Hong Kong, Ko Wing-man, ao ordenar nesta sexta-feira (24) o recolhimento de carnes brasileiras vindas das 21 empresas investigada pela Operação Carne Fraca.

Hong Kong tem uma vigilância sanitária rigorosa e reativa, que garante à cidade a fama de porto seguro para compradores chineses.

Milhares cruzam a fronteira com a China diariamente para comprar na região autônoma produtos marcados no continente pela falsificação, como o leite em pó.

Neste semana, as autoridades testaram 27 amostras de mercadorias brasileiras e não encontraram irregularidades.

Mesmo assim, o governo foi criticado por não ter aplicado um recall imediato dos produtos que estavam tendo a qualidade questionada.

Em janeiro, quase metade da carne bovina que entrou na cidade veio do Brasil. No caso do frango e dos suínos, a participação brasileiro girou em torno de 30%.

Hong Kong suspendeu no início deste semana as importações do produto brasileiro.

Impacto

O embargo das importações de carne brasileira foi capa de ao menos quatro tabloides locais ("The Standard", "Apple Daily", "Am370" e "Headline Daily") na quarta-feira (22).

A notícia se alastrou pela imprensa local e fez grandes redes de supermercado retirarem a mercadoria no mesmo dia, mesmo sem orientação do governo, para não perderem clientes.

Além do preço, a etiqueta dos produtos leva, em muitos pontos de venda, nome e bandeira do país de origem.

Redes de fast-food e restaurantes retiraram opções do cardápio. O presidente da Federação de Restaurantes de Hong Kong disse à imprensa local que teme um aumento de preços, se comerciantes tiverem que buscar fornecedores de outros países.

"Essa suspensão afeta a imagem do produto do Brasil. Não é agradável ver que a imagem do Brasil esteja associada a problemas de má observância de padrões sanitários ou de condutas de corrupção", disse o cônsul-geral do Brasil em Hong Kong, Piragibe Tarragô.

De acordo com a lista divulgada pelo governo brasileiro, ao menos cinco companhias investigadas forneceram carnes para Hong Kong.