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PECUÁRIA

Eficiência alimentar é o "aqui e agora" da bovinocultura

O mercado urge por informações de qualidade, produtos com credibilidade e escala para atendimento da demanda

30 setembro 2022 - 08h19Por DBO Rural

A busca pela eficiência alimentar (EA) do rebanho bovino é dispendiosa e complexa, frente a tantas outras características com as quais ela mesmo precisa se equilibrar. Mas como diz o pensamento, “a tecnologia chega e quem a adota sai na frente; depois, com o tempo, ela vira obrigação e é incorporada pela maioria”.

Como a genômica e a recente metabolômica, a EA veio para ficar. Para se ter uma ideia, de cada dez que procuram sêmen na central ABS Brasil, seis querem material selecionado para eficiência alimentar, também. Tal contexto é inquestionável frente ao fato de identificarmos que quem, na pecuária de corte, não quer que seu animal coma o mínimo possível para produzir 1kg de carne.

Não por acaso, a seleção genética do rebanho brasileiro avança rapidamente na direção das características de valor econômico relacionadas à alta produtividade e da redução de custos de produção e de emissão de metano.

A identificação de animais de alto desempenho, com baixo consumo e mais sustentáveis é a exigência do mercado, por isso, produtores devem se qualificar para atender a essa demanda. Esse foi o tema da live “Consistência na seleção genética para eficiência alimentar e as oportunidades”, realizado nessa quarta-feira (28). O encontro virtual foi promovido pela GA+Intergado.

Participaram do debate Marcelo Ribas, médico veterinário, doutor em Zootecnia e VP da companhia. Também Argeu Silveira, especialista em melhoramento genético e seleção para eficiência alimentar e diretor técnico da Agronova – segunda fazenda que mais avaliou animais para a característica no Brasil – e consultor da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP).

E Gustavo Morales, especialista em planejamento genético e gerente de mercado responsável pela seleção de touros para a bateria da ABS, empresa responsável pela criação do índice “Real Matinha” que considera a eficiência alimentar, reunindo o maior catálogo de animais com DEP Negativa para CAR do mercado.

Discursos afinados – Na oportunidade, os especialistas reconheceram a existência de um volume de informações crescente, o que dá credibilidade a cada novo reprodutor, mas também a necessidade de coleta de dados de fêmeas.

Ocorre que os produtores comerciais têm sempre a opção de comprar sêmen ou touros avaliados para EA, enquanto que fêmeas não. Para Argeu Silveira é necessário mudar essa atitude, pois são elas que mais tempo permanecem no rebanho, respondendo por 50% do material genético em seleção.

A evolução dessa característica pode ser confirmada por números. Cada vez é mais difícil encontrar em provas indivíduos que apresentem a necessidade de consumo de 25 kg de alimento para produzir 1kg de carne. O extremo oposto também, ou seja, aquele que precisa só de 3 kg para a mesma produção.

Marcelo Ribas e Silveira concordaram que há uma tendência no mercado de buscar animais cada vez maiores – acima de 22 arrobas – a exemplo do que já acontece nos EUA. Lá foi essa a fórmula para absorver o ágio existente nos preços dos bovinos de reposição. Como alternativa para manter o ciclo curto e conter o volume de dieta, os técnicos indicaram a eficiência alimentar.

Um rebanho que começa hoje a selecionar para esta característica, em poucas gerações vê uma queda de 10 a 25% no consumo alimentar da fazenda. Isso representa que em um espaço onde se coloca 1 mil vacas poderá receber, brevemente, 2 mil delas, aumentando consideravelmente o número de arrobas produzidas por hectare.

Mercado voraz

Segundo Gustavo Morales, da ABS, o mercado é ávido por animais eficientes na alimentação. “Tudo que produzimos é consumido rapidamente. Os clientes cada vez mais se mostram conscientes dos benefícios da EA e querem introduzi-la em seu rebanho. E aqueles que não levam esse tipo de produto, nunca deixam de tirar informações”, relata.

Os especialistas tocaram ainda nos mitos que existe em torno da seleção para EA. Silveira explica que “muitos já caíram e outros vão cair”. Um exemplo dele é a baixa deposição de gordura. O consultor da ANCP esclarece que a EA, praticamente, não tem correlações com outras características. “O selecionador tem de se ver como um malabarista”.

Silveira refere-se ao fato de buscar animais equilibrados para produzir genética. “Todas as características de interesse econômico devem caminhar juntas e se apresentar de forma equilibrada nos reprodutores e matrizes. Essa é a melhor forma de fugir das armadilhas e não esbarrar no indesejável”, conclui.