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Dourados terá viveiro de brusone instalado pela Embrapa Trigo

28 outubro 2009 - 00h00Por Agora MS

Velha conhecida do arroz, a brusone é uma doença relativamente recente nos trigais brasileiros, um dos poucos lugares no mundo onde o problema apareceu e tem sido um desafio aos pesquisadores pela falta de conhecimentos para controlar o fungo. Levantar informações da brusone é o objetivo dos viveiros que a Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS) começa a instalar nesta semana em três pontos do País, sendo um deles Dourados.

“A brusone é um problema identificado no arroz há séculos, mas o registro da doença no trigo é recente, com danos significativos nesta safra pela inexistência de cultivares resistentes e pelo grande volume de chuvas que impediram o controle com fungicidas. Grande parte das lavouras da região central do País e de estados como PR, SP e MS foram prejudicadas pelo fungo que ataca a ráquis da planta, impedindo o enchimento dos grãos e secando as espigas rapidamente. O trigo atacado não serve para a indústria alimentícia e acaba virando triguilho ou ração, produtos de baixo valor comercial”, explica a pesquisadora da Embrapa Trigo, Gisele Torres. Ela é líder do projeto “Brusone do Trigo:
estudo da interação planta-patógeno”, que reúne mais 30 especialistas em diferentes áreas de conhecimento.

Os viveiros de brusone em condições de campo são o primeiro experimento em trigo realizado no mundo. “A brusone em trigo só foi registrada no Brasil, Bolívia e Paraguai, mas os grandes países produtores temem que, mais cedo ou mais tarde, a doença chegue à América do Norte, Europa e Ásia. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) aprovou no final de 2008 um projeto de um milhão de dólares para pesquisas com brusone em trigo. As mudanças climáticas podem mudar rapidamente a situação de temperatura e umidade de um país, criando um ambiente favorável aos fungos”, esclarece Gisele.

Os experimentos serão instalados em regiões estratégicas onde há maior incidência do fungo: Dourados no Sul do MS; Planaltina no DF, e Londrina no Norte do PR. As lavouras com trigo vão contar com a ajuda de irrigação para favorecer a máxima condição do fungo se desenvolver. No campo, serão testados, a cada safra de inverno, 200 genótipos do Banco de Germoplasma da Embrapa Trigo, possibilitando a seleção de plantas mais resistentes.

“Vamos testar materiais do mundo todo, em alta pressão de inóculo, para ver se algum apresenta genes de resistência”, conta Gisele, lembrando que assim como no arroz, o fungo que ataca a brusone do trigo apresenta alta variabilidade genética, quebrando rapidamente a resistência das cultivares. “O trigo tem uma suscetibilidade à brusone mais alta que o arroz, então o desafio é ainda maior: gerar conhecimento sobre o problema e buscar o controle da doença”, conclui a pesquisadora.

A condução dos viveiros será de responsabilidade dos fitopatologistas (especialistas em doenças de plantas) das unidades da Embrapa: João Leodato Maciel da Embrapa Trigo; Augusto Goulart e Alexandre Roese da Embrapa Agropecuária Oeste; Alexei Dianese da Embrapa Cerrados, e Claudine Seixas da Embrapa Soja.