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Diminuição de abelhas na Europa e na América do Norte preocupa cientistas

11 março 2010 - 00h00Por Correiro Braziliense.

O que aconteceria com o mundo se as abelhas e as formigas desaparecessem da Terra? A pergunta começou a preocupar cientistas quando apicultores da América do Norte e da Europa notaram uma queda acentuada dos enxames. O receio tem justificativa. Esses insetos garantem a diversidade e o equilíbrio do ecossistema. São tão importantes que, se fossem extintos, a humanidade certamente seguiria o mesmo caminho em um prazo bastante curto, algo em torno de cinco anos.

Cerca de 80% do alimento consumido pela humanidade são polinizados pelas abelhas, que carregam os grãos de pólen, promovendo a fecundação das plantas. “Se as abelhas desaparecerem, nós vamos passar fome”, explica a bióloga e pesquisadora da Embrapa do Semiárido Márcia Ribeiro. A redução das colmeias é causada por um processo de desorientação das abelhas que, ao sair para coletar o pólen e o néctar, não conseguem retornar ao enxame. As causas ainda não foram desvendadas pela ciência e podem estar relacionadas aos mais diversos fatores, da mudança climática e disseminação de antenas celulares até o excesso de agrotóxicos ou uma infecção por vírus que estaria afetando os insetos. “A causa pode estar relacionada a um conjunto de fatores”, aponta a pesquisadora.

No Brasil, não se sabe o quanto as alterações no meio ambiente já afetaram as abelhas, embora já tenha sido notada alguma redução dos animais no Nordeste, no Rio Grande do Sul e também em São Paulo. O desaparecimento de espécies do cerrado, por exemplo, também é de certa forma associado ao desmatamento, que eliminou os enxames e a possibilidade de polinização ou de reprodução de flores e árvores.

No mundo, são mais de 20 mil espécies de abelhas. No país, as mais comuns são as sociais, que vivem em colônias. As espécies brasileiras levam uma vantagem em relação às europeias. O professor e pesquisador dos cursos de mestrado e doutorado da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Alfredo Goicochea Huertas, explica que as abelhas brasileiras são insetos híbridos, resultantes do cruzamento natural de espécies europeias e africanas, o que deu origem a um inseto resistente, chamado pelos especialistas de abelha africanizada. Eficientes na produção de mel, própolis e geleia real, elas são mais resistentes a agrotóxicos e imunes a diversos tipos de bactérias e outros inimigos naturais, como os ácaros. “O ácaro varroa, por exemplo, enfraquece as abelhas europeias, mas não afeta as africanizadas”, compara Huertas.

Colapso - O desaparecimento dos enxames, chamado pelos especialistas de colapso das abelhas, mexe em uma estrutura perfeita e, por isso, assusta os pesquisadores. Desorientados, os insetos não retornam ao enxame, alterando um comportamento observado por séculos. As abelhas são insetos sociais que trabalham pela sobrevivência da espécie, e o único momento em que não retornam para o grupo é quando voam para morrer. “Elas já foram faxineiras e sabem o quanto é difícil limpar a casa”, brinca Huerta.

O professor, que trabalha no melhoramento genético das espécies, explica que as abelhas vivem em organizações que chegam a ter 100 mil operários, 400 zangões e uma rainha. A organização exemplar é mantida pelo hormônio de coerção liberado pela rainha, que chega a pesar 200mg, mais que o dobro de uma operária.

Esses insetos vivem cerca de 55 dias e trabalham sem descanso. Do primeiro ao quinto dia de vida, são responsáveis pela limpeza da colmeia e, por isso, são chamados de faxineiras. Do quinto ao décimo dia, produzem a geleia real em grande quantidade para alimentar as larvas e a rainha. Nessa fase, as abelhas são denominadas nutrizes ou babás. Do décimo ao décimo oitavo dia, produzem a cera para a construção dos favos — é quando se tornam engenheiras ou construtoras. Do décimo oitavo ao vigésimo fazem a vigia da colmeia e, depois disso, passam a sair para coletar o nectar e o pólen, sempre retornando para a colmeia. É esse ciclo, tão bem organizado e repetido há muito tempo, que está sendo rompido, para espanto dos cientistas.