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Demanda já faz preço externo da carne subir

05 fevereiro 2010 - 00h00Por Valor Econômico, por Alda do Amaral Rocha.

A retomada da demanda, como reflexo da recuperação da economia global, já favorece as exportações de carne bovina. Ainda contando as perdas de 2009 -parte delas por causa das restrições da União Europeia à carne brasileira em vigor há dois anos-, o setor exportador registrou em janeiro passado crescimento dos volumes vendidos e também dos preços da carne no mercado internacional.

De acordo com a Abiec (Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina), em janeiro as vendas de carne in natura somaram US$ 241,08 milhões, 43% acima dos US$ 168,4 milhões do mesmo mês de 2008. O volume cresceu 18% na mesma comparação, para 67.025 toneladas.

A receita em alta mostra uma recuperação dos preços de venda. Segundo a Abiec, o valor médio da tonelada da carne in natura subiu 21% em relação a janeiro de 2009, saindo de US$ 2.976 para US$ 3.597. "Há uma recuperação da demanda global que estava reprimida por causa da crise", diz Otávio Cançado, diretor-executivo da Abiec.

Esse preço apurado pela Abiec é uma média das cotações em todos os mercados para onde o Brasil vende carne bovina in natura, como Rússia, Irã e Hong Kong. E, atualmente, há sinais positivos vindo da União Europeia, por exemplo. Conforme uma fonte de frigorífico exportador, a tonelada de filé mignon, que estava em US$ 12 mil no fim de 2009, já está sendo negociada por US$ 16 mil naquele mercado.

Apesar de alguns países do bloco ainda não terem saído totalmente da crise, há uma maior da demanda na UE porque os estoques de carne estão baixos, observa a fonte. Além disso, a Argentina, importante fornecedor mundial, está exportando menos para garantir a oferta doméstica. Há ainda a crônica questão das restrições impostas pela UE à carne brasileira em fevereiro de 2008, o que acaba tornando a oferta do produto restrita no mercado europeu.

Essas restrições, aliás, só reforçaram os efeitos da crise financeira na demanda por carne em 2009. Desde que foram impostas, as medidas fizeram as exportações brasileiras para a União Europeia caírem para menos da metade. Em 2007, antes de a UE exigir que apenas um número limitado de fazendas certificadas fornecesse animais rastreados para abate e exportação ao bloco, o Brasil embarcou US$ 1,385 bilhão ao mercado europeu. No ano seguinte, quando as restrições entraram em vigor, foram US$ 685 milhões e no ano passado, US$ 600 milhões, conforme a Abiec.

Os números consideram as vendas de carne in natura e industrializada. Levando em conta só o produto in natura, o tombo foi ainda maior. Foram US$ 1,087 bilhão em 2007, US$ 270 milhões no ano seguinte e US$ 297 milhões ano passado, segundo os dados da Abiec.

Cançado afirma que esse resultado reflete a exigência europeia e também a crise financeira. Mas ele acredita em melhora este ano. "A UE precisa recompor estoques".

Hoje, 1.875 fazendas estão certificadas e aptas para fornecer animais para exportação à UE. Há um ano, eram 814. Para que as empresas consigam atender à demanda da UE, porém, é preciso ampliar a oferta de animais, por isso o Brasil pede a flexibilização das regras aos europeus. Tais regras são consideradas muito rigorosas e, por isso, desestimulam a adesão dos pecuaristas.

Os criadores reclamam ainda que a compensação pela certificação do gado é baixa. Hoje, frigoríficos pagam prêmios de 3% a 5% pela arroba do boi rastreado, segundo uma fonte da indústria.

Para o diretor da Abiec, essa flexibilização pode acontecer se a missão técnica da UE que vem ao país avaliar o sistema de defesa animal ficar com satisfeita com o que encontrar.