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Contratos agropecuários despencam 40% na Bolsa

07 dezembro 2009 - 00h00Por DCI - Diário do Comércio & Indústria.

O volume de contratos agropecuários negociados na BM&F Bovespa já caiu mais de 40% no ano. De janeiro a novembro, o número registrado foi de 1.827.532 contratos ante 3.102.123 contratos verificados no mesmo período do ano passado. O resultado financeiro também teve forte retração em reais, de R$ 4,3 bilhões para R$ 3,9 bilhões. As perdas foram neutralizadas pela desvalorização do dólar, cujo desempenho nos últimos 11 meses evoluiu de US$ 1,9 bilhão para US$ 2,3 bilhões.

O contrato de boi gordo continua sendo o mais negociado, mas é também o que apresenta pior desempenho no ano. Após um 2008 de resultados expressivos, superando pela primeira vez o café em número de contratos e resultado financeiro, os papéis de boi gordo caíram pela metade, de pouco mais de 1,5 milhão para 758,2 mil contratos. Em reais, a queda foi de R$ 2,45 bilhões para R$ 1,87 bilhão, mas em dólares o valor permaneceu estável, em US$ 1,08 bilhão.

Boa parte dos contratos de boi travados no mercado futuro da BM&F eram feitos por indústrias frigoríficas e esse segmento foi um dos mais impactados pela redução no consumo mundial. De acordo com Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria, as margens dos frigoríficos, analisando o mercado doméstico, recuperam-se ao longo dos últimos meses, já que a queda do boi gordo foi o dobro da registrada para a carne. No mercado externo, porém, a realidade é outra. "Na prática, vemos que a relação piorou significativamente para os frigoríficos. Isso porque, em dólares, o preço da carne exportada caiu, mas o do boi subiu", disse.

A pressão sobre os frigoríficos foi diagnosticada em um estudo realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuário (Imea) que mostra a participação dos três elos da cadeira produtiva do setor de carne - boi gordo (arroba), atacado (indústrias frigoríficas) e varejo (supermercados, açougues e feiras) - no período de 2005 a 2009. Ficou constatado, que em termos médios, a margem do atacado é de apenas 5% , sendo outros 65% destinados ao varejo e os 30% restantes a cadeia produtiva.

Quando o comparativo é sobre a evolução dos preços da arroba e da carne, o cenário também não é dos melhores. "Quando comparamos os preços de 2008 para 2009, o preço da arroba baixou 10% e do atacado 2%, enquanto isso, o varejo nada perdeu, pelo contrário, ganhou 8%. Não existe dúvida que o varejo fica com a maior fatia do boi mesmo permanecendo com o produto por um curto período, e se responsabilizando apenas em acondicionar e cortes", ressaltou Júlio Ferraz, diretor da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

Além do boi gordo, os contratos de soja se retraíram de forma significativa. O número de papéis recuou de 267,4 mil para 159,6 mil o que, em volume financeiro, resultou em uma diminuição de R$ 249,58 milhões para R$ 185,37 milhões (US$ 110,18 milhões para US$ 107,57).

A contrapartida para as quedas do boi e da soja partiu do café arábica e do milho com liquidação financeira. Apesar de ter um número de papéis ainda inferior aos de 2008, o volume financeiro de café negociado quase dobrou. Enquanto, no ano passado, foram necessários 732,8 mil contratos para atingir um volume de financeiro equivalente a US$ 493,4 milhões, este 541,3 mil contratos somaram US$ 872,4 milhões. Em reais, a variação foi de R$ 1,12 bilhão para R$ 1,5 bilhão.

Os contratos de milho com liquidação financeira também tiveram um grande salto, evoluindo de 2,7 mil contratos para 217,2 mil papéis negociados. O volume, em reais, avançou de R$ 11,3 milhões para R$ 359,5, ultrapassando os contratos de soja. Em dólares, o resultado foi de US$ 208,5 milhões, ante US$ 5 milhões.