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Commodities: turbulência na Europa afeta preços futuros

02 março 2010 - 00h00Por Valor Econômico.

Os preços internacionais das principais commodities agrícolas negociadas pelo Brasil no exterior não resistiram aos movimentos financeiros derivados da turbulência em países da Europa, sobretudo a Grécia, e voltaram a perder sustentação em fevereiro.

Cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) transacionados nas bolsas de Chicago e Nova York mostram que, dos oito produtos que fazem parte do levantamento, apenas o algodão apresentou valorização em relação à média de janeiro. Os demais, mesmo aqueles com fundamentos de oferta e demanda considerados "altistas", registraram variações negativas. Os produtos avaliados foram açúcar, suco de laranja, café, cacau, algodão, soja, milho e trigo.

No caso do milho, a baixa em relação a janeiro foi de 5,64%, o que elevou a redução da cotação média em relação a dezembro para 8,31% e reduziu a alta em 12 meses para míseros 0,73%. Não é uma boa notícia para os produtores brasileiros, que viraram o ano muito estocados e contam com as exportações, ainda não regulares, para compensar a maré adversa no mercado doméstico.

Para a soja, carro-chefe do agronegócio brasileiro, a desvalorização do preço médio de fevereiro na comparação ao de janeiro foi de 3,88%, ampliando a perda no ano para 8,91% e diminuindo a alta em 12 meses para 1,72%. Aqui, as movimentações financeiras derivadas da crise europeia e das oscilações do dólar não atuaram sozinhas. Depois da boa colheita nos Estados Unidos no segundo semestre de 2009 e do bom desenvolvimento da safra sul-americana, a oferta tornou-se confortável como o previsto e a erosão poderá inclusive continuar, conforme analistas.

Na BM&FBovespa só o boi gordo registrou valorização no mês passado.

Em boa medida, os ganhos registrados (2,29%) representam a continuidade de uma reação, iniciada em janeiro, aos baixos patamares que vinham sendo praticados, que ainda determinam uma queda de 2,45% em relação ao valor médio registrado em fevereiro de 2009. Essa baixa é resultado das dificuldades observadas em função da boa oferta em tempos de dificuldades na exportações por conta da desaceleração da economia em importantes países compradores, inclusive na União Europeia.

Além da pressão da retração das cotações internacionais, o cenário de gordos estoques domésticos colaborou para derrubar o milho. Em relação à média de janeiro, a queda em fevereiro foi de 3,59%. Em 2010, com isso, as perdas acumuladas chegaram a 6,78%; em 12 meses, a 20,23%.

A soja também foi abaixo com as conjunturas internacional e doméstica. A commodity registrou preço médio 6,33% menor em fevereiro do que em janeiro, o que ampliou o tombo em relação à média de dezembro para 10,77%. Assim como no caso do boi e do milho, a soja também tem curva descendente de preços no mercado físico. Em Mato Grosso, por exemplo, há algumas semanas a nova colheita era negociada com preços pelo menos 15% abaixo daqueles do início do ano passado.