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BOI GORDO

Com efeito nulo da entressafra, apostas para alta no curto prazo miram recuperação da demanda

Comemorações do Dia dos Pais, no próximo domingo, e os pagamentos dos programas sociais de distribuição de renda podem estimular o consumo interno

12 agosto 2022 - 07h35Por DBO Rural

Com o mercado ainda surpreso com a decisão de algumas indústrias frigoríficas em anunciar férias coletivas em importantes unidades de abate, os negócios do boi gordo seguem travados na maioria das praças brasileiras, informam nesta quinta-feira, 11 de agosto, as consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário.

As poucas indústrias interessadas em fechar negócios oferecem valores abaixo das máximas vigentes, o que só reforça a tendência de queda nos preços da arroba em pleno período de entressafra de boiada terminada a pasto.

Nas praças do interior de São Paulo, a cotação do macho terminado destinado ao mercado interno (sem prêmio-exportação) já recuou R$ 4/@ ao longo desta semana, chegando a R$ 300/@ (valor bruto e a prazo), segundo dados da Scot Consltoria.

No mesmo período de comparação, a cotação do boi-China (abatido mais jovem, com até 30 meses de idade) acumulou queda de R$ 5/@, atingindo R$ 310/@ no mercado paulista, informa a Scot. Os preços das fêmeas gordas também caíram durante a semana, e hoje são negociadas nas praças de São Paulo a R$ 278/@ (vaca) e R$ 292/@ (novilha), no prazo, relata a Scot.

Os analistas do mercado também destacam a retração dos preços do boi gordo nas praças do Mato Grosso, o Estado com o maior rebanho bovino de corte do País. Nas contas da Scot, a referência média para o animal terminado nas regiões matogrossenses caiu R$ 5,50/@ ao longo da semana, “refletindo o impacto do anúncio de férias coletivas em três grandes plantas frigoríficas presentes no Estado”.

Só nesta quinta-feira, as cotações do macho terminado e a vaca gorda recuaram R$ 2/@ nas praças do MT, chegando, respectivamente, em R$ 284/@ e R$ 268/@ (valores bruto e a prazo), informa a Scot, acrescentando que a novilha gorda ofertada na mesma região está cotada em  R$ 276/@.

Avanço das escalas

Segundo apuração da IHS Markit, em algumas unidades frigorificas espalhadas pelo Brasil, as programações de abate já avançam para até o fim de agosto. “As indústrias que permanecem ativas nas compras de gado gordo testam preços abaixo das cotações vigentes, renovando o ambiente de pressão baixista”, reforçam os analistas da IHS.

Segundo a consultoria, os negócios envolvendo boiadas gordas são raros neste momento (segunda semana de agosto), com liquidez quase nula. “Há relatos de unidades frigoríficas com programações adentrando a primeira semana de setembro”, observa a IHS.

De acordo com a consultoria, o mercado permanece completamente travado desde a quarta-feira (10/8), quando o setor sentiu o impacto da notícia de que “a JBS estaria colocando em férias coletivas 6 unidades de abate situadas nos Estados do Pará, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”.

Nesta quinta-feira, a IHS Markit observou que indústrias de médio porte também iniciaram movimentos contidos de compras de gado para abate, seguindo, assim, o caminho atual traçado pelos frigoríficos de maior peso no mercado brasileiro.

Na avaliação da IHS Markit, diante da conjuntura atual de escalas de abate alongadas e de operações de compras em ritmo bastante cadenciados, novos recuos na arroba do boi gordo podem ocorrer nos próximos dias nas principais regiões pecuárias brasileiras.

Além disso, continua a IHS, o desempenho mais contido das exportações de carne bovina brasileira neste mês de agosto (em comparação ao ritmo de embarques registrado em agosto/21) também fomenta a desaceleração da produção industrial da proteína.

No entanto, ainda há esperanças dos agentes do setor em relação ao suposto avanço na demanda doméstica pela carne bovina, impulsionada pelas comemorações do Dia dos Pais (no próximo domingo, 14/8) e também pelo início dos pagamentos dos programas sociais de distribuição de renda por parte do governo federal.

No mercado atacadista, o reescalonamento da produção industrial e a desaceleração na produção de carne bovina começam a reduzir os estoques da proteína nos canais de distribuição e venda, observa a IHS.