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Côlonia rural Aguão recebe torre de internet e telefone

05 agosto 2011 - 11h28Por CG News

Em pleno ano de 2011 a zona rural da Capital de Mato Grosso do Sul ainda convive com sérios problemas de comunicação. Sem acesso à internet, sinal de celular ou mesmo a impossibilidade de ter um simples telefone fixo em casa atrapalham a vida desta parte da população da cidade.

Situação como esta vive a Colônia Aguão, espalhada em várias chácaras e fazendas próximas ao km 25 da MS-080, saída para Rochedo. Com cerca de 40 famílias na região, as pessoas só dispõem de um telefone público localizado em um bar na beira da estrada.

“Atrapalha muito a vida e o trabalho não ter o telefone. Temos só um orelhão, que muitas vezes não está funcionando”, reclamou “seo” Ximbiu, dono de um dos poucos estabelecimentos comerciais da comunidade. “Se viesse o telefone ia melhorar muito, mas prometem isso faz muitos anos”, completou o comerciante, de 45 anos, morador da Colônia Aguão desde a infância.

Dona do bar com o tal telefone público, dona Francisca Melo, 72 anos, relata que o telefone recebe mais visitas que o próprio bar. “Hoje em dia pouca gente vem aqui, abro só à noite, agora no telefone é bem mais gente”, comenta a idosa.

O panorama pode começar a mudar com um projeto chamado Telecom, que instala torres de expansão de sinal nessas regiões. Em princípio, o projeto vai disponibilizar para as escolas municipais da zona rural a Rede Municipal de Alta Velocidade (Remav) na área rural, melhorando a qualidade da internet das intuições de ensino, e oferecendo serviço de comunicação via VoIP.

“Com essas torres vamos instalar, já em 2012, pequenos equipamentos de expansão nas próprias comunidades. Esses instrumentos vão dar sinal de telefone e internet para as comunidades da zona rural”, explicou João Yamaura, diretor presidente do IMTI (Instituto Municipal de Tecnologia da Informação), entidade da Prefeitura Municipal responsável pelo planejamento e instalação da Telecom.

Na manhã de hoje, uma das torres, medindo 45 metros, foi inaugurada na Escola Municipal Orlandina Oliveira Lima, que faz parte da colônia. O instrumento animou a população, em especial as crianças, que se preocupam mais com o mundo online. “Tomara que venha a internet mesmo, meu pai já está até pensando em comprar um computador”, afirma o estudante do 8º ano, Ronivaldo Ribeiro Filho, de 12 anos.

A mãe do menino, Rosangela Alves Nunes, de 33 anos, explica que a internet seria bem vinda, em especial para a educação das crianças. “Ajuda muito nos estudos, e também teríamos um lazer”, comentou ela, que atende em uma mercearia na MS-080.

Ainda segundo Rosangela, a chegada do telefone seria mais importante que da internet. “Tive que comprar um celular com antena externa para funcionar. Quando o orelhão não está funcionando as pessoas chegam a pedir pra usar meu celular”, reclama a comerciante.

Condições- Diretora faz 26 anos da Escola Municipal Orlandina Oliveira Lima, Janete Rosa de Souza, de 51 anos, relata que das 65 famílias que possuem filhos no colégio, apenas duas tem computador.

“Poucos têm computador, mas sinto que eles querem muito, me perguntam muito se a internet vai chegar mesmo. Se der certo, acredito que eles vão dar um jeitinho, vender algum animal, para poder comprar um computador e pagar a internet”, comentou a diretora.

Mesma opinião tem a dona de casa, e mão de aluno, Jacira Nunes da Silva, 43 anos. “Não sei mexer na internet, mas queria, tenho curiosidade. Se viesse acho que daríamos um jeito de ter”, afirmou Jacira, nascida e criada na Colônia Aguão.

A escola possui hoje 250 alunos da própria Colônia Aguão, do Inferninho, do Assentamento Sucuri, do Pontal e da Colônia Aspargo. Ainda segundo a diretora, a maioria dos alunos trabalha ajudando os pais nos trabalhos diários, em especial tirando leite das vacas.

Internet na escola- enquanto não possuem internet em casa, os moradores da Colônia Aguão acabam usando o computador na própria escola. “Os pais usam a internet aqui especialmente nos dias de reunião, que eles já vêm mesmo, e a adesão é muito boa”, completou Janete Souza.

Segundo o vice-prefeito de Campo Grande, Edil Albuquerque, que participou da inauguração da torre na Colônia Aguão, 100% das escolas municipais de Campo Grande possuem salas de computação, com acesso à internet, e que podem ser usadas pelas comunidades.

A torre da Colônia Aguão foi a segunda da Zona Rural de Campo Grande. A primeira já foi instalada em Rochedinho. Ainda hoje será lançada outra na Escola Municipal Darthesy Novaes Caminha, Chácara das Mansões. A última será inaugurada até setembro da Escola Agrícola da Capital.