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Centro-sul do Brasil deixa de moer 30 mi t de cana em 3 meses

30 setembro 2009 - 00h00Por O Estado de São Paulo

O centro-sul do Brasil deixou de processar pelo menos 30 milhões de toneladas de cana entre julho e setembro de 2009, devido às chuvas, de acordo com estimativa da consultoria AgraFNP divulgada nesta terça-feira.

Segundo a AgraFNP, levando em consideração que 56,4 por cento da cana foi direcionada para a produção de etanol e um rendimento de 132 quilos de ATR (Açúcar Total Recuperável) por tonelada de cana, cerca de 1,64 milhão de toneladas de açúcar e 1,23 bilhão de litros de etanol deixaram de ser produzidos.

"Mas é importante analisar que o clima atípico traz efeitos contraditórios no mercado. O preço do etanol sobe, mas o baixo rendimento produtivo eleva os custos das usinas, reduzindo suas margens", diz Bruno Bosz, analista da AgraFNP.

Nesta terça-feira, os preços do açúcar bruto em Nova York deram um salto devido ao excesso de chuvas no Brasil e ao aperto da oferta que pode levar a mais importações do México.

O contrato março chegou a atingir 25,15 centavos de dólar por libra-peso, o maior nível desde que o açúcar foi negociado na máxima de 28 anos e meio de 26,25 centavos no início de setembro.

Na semana passada, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) reduziu a sua previsão de moagem de cana na temporada 2009/10, devido ao tempo chuvoso, e foi levada a diminuir também a estimativa de produção de etanol, que deverá ficar inferior à do ano passado.

A entidade estimou a moagem de cana do centro-sul do Brasil em 09/10 em 529,5 milhões de toneladas, queda de 3,7 por cento ante previsão de 550 milhões de toneladas feita em abril.

Para a consultoria, existe a possibilidade de um período de moagem maior que o usual, com muitas usinas de São Paulo e Paraná podendo avançar até janeiro e fevereiro devido à impossibilidade da colheita em meio ao clima úmido.

CONSUMO

A AgraFNP destacou ainda que o consumo de etanol não tem diminuído no país, ainda que os preços ao consumidor estejam maiores.

"(Mas) Nos próximos meses, o combustível fóssil (gasolina) deve se tornar mais competitivo, afetando o consumo de etanol naquela região", disse Bosz.

Com as elevadas vendas de veículos flex no Brasil e os preços mais baixos do milho nos Estados Unidos, as exportações brasileiras de etanol não devem superar 2,3 bilhões de litros até o final da safra atual, de acordo com a AgraFNP.