Nos primeiros seis dias úteis de 2026, o Brasil exportou 89,30 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 14,88 mil toneladas, o que significa um avanço semanal de 3,19% e alta anual de 34,50%, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Trata-se do maior volume já registrado na história para uma primeira semana de janeiro, informa a Agrifatto.
Esse forte desempenho, diz a consultoria, está associado, principalmente, à corrida da indústria exportadora para o preenchimento das cotas impostas pela China, o que tem intensificado o ritmo dos embarques de carne bovina e ampliado a movimentação do mercado. “Diante desse cenário, nossas projeções indicam que janeiro poderá encerrar com cerca de 280 mil toneladas exportadas, consolidando um fechamento histórico para o primeiro mês do ano”, prevê a Agrifatto.
Em relação aos preços, a tonelada exportada apresentou leve ajuste negativo, com cotação média de US$ 5,52 mil na semana, recuo de 1,37% frente ao período anterior. Por sua vez, a receita total acumulada na primeira semana de janeiro/26 alcançou US$ 493 milhões, com média diária de faturamento de US$ 82,30 milhões, praticamente dobrando em relação ao mesmo período do ano passado, com incremento anual de 99,67%.
Exportações de carne bovina aos EUA
As exportações brasileiras de carne bovina iniciaram este ano com ritmo recorde para os Estados Unidos. Em apenas cinco dias (entre 2 e 6 de janeiro), a cota de 52 mil toneladas isentas foi totalmente preenchida. A cota usada pelos frigoríficos brasileiros foi reduzida em 2026. Antes, eram 65 mil toneladas, divididas com vários outros países.
Os EUA transferiram 13 mil toneladas para o Reino Unido, o que resultou no volume de 52 mil toneladas, ocupadas totalmente pelo Brasil nos seis primeiros dias de janeiro. A informação do uso total da cota foi confirmada pelo relatório semanal do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês), divulgado na noite da segunda-feira (12/1).
No ano passado, o Brasil atingiu o volume isento, até então de 65 mil toneladas, em 17 de janeiro. Em 2024, isso havia ocorrido apenas em março. As 350 mil toneladas a mais que o Brasil espera enviar aos EUA até o fim do ano serão taxadas em 26,4%. Isso torna o produto brasileiro menos competitivo que as cargas da Austrália, por exemplo. Americanos e australianos têm acordo de livre comércio para cota de 378,2 mil toneladas anuais.
Menos de 3% desse volume havia sido ocupado até 12 de janeiro, com exportações de 10,6 mil toneladas. A Argentina utilizou pouco mais de 2,5% da sua cota de 20 mil toneladas em 2026, com envio de 510,5 toneladas até agora. A Nova Zelândia exportou 5,1 mil toneladas aos americanos, 2,4% da sua cota anual de 213,4 mil toneladas. Os frigoríficos uruguaios ocuparam apenas 1,5% da cota de 20 mil toneladas deste ano, com embarque de 297,1 toneladas.
O Reino Unido, que recebeu a cota de 13 mil pertencente ao Brasil anteriormente, ainda não exportou carne bovina aos EUA em 2026, segundo o relatório mais recente do CBP.




