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Bolsa garante preços de commodities a produtores

18 novembro 2009 - 00h00Por Agrolink

Buscar informações junto aos bancos e corretoras é o primeiro passo para os produtores que desejam realizar contratos na bolsa. A afirmação é do consultor da área de agronegócio da BM&FBovespa, João Pedro Cuthi Dias, que reforça que aplicar em mercados futuros ou de opções é interessante para gerenciar riscos e garantir preços de produtos. Dias esteve ontem em Londrina para ministrar palestra durante o evento ""BM&FBovespa Vai Até o Campo"", que tem por objetivo promover a interiorização e a popularização dessas operações.

"Aplicar na bolsa é como fazer um seguro", garante o consultor. Ele diz que as pessoas ainda são tímidas e têm medo de operar na bolsa, porém se trata de uma questão cultural. Nos Estados Unidos, cita Dias, as negociações do setor do agronegócio são amplas, fortes e bastante antigas. O consultor observa, por sua vez, que o Brasil caminha positivamente e tem obtido crescimento considerável nas operações da bolsa. Em 2006, foram realizados 1,354 milhão de contratos e, em 2008, o número saltou para 3,283 milhões de contratos de agronegócio.

"Antes o produtor não sabia fazer plantio direto, hoje sabe e faz. Com a bolsa será o mesmo, por isso é importante colher muitas informações antes de realizar um contrato", compara Dias. Ele ressalta que os produtores mais conservadores podem, por exemplo, começar com pequenas negociações, 2% ou 5% do que produzem, até se familiarizarem com as operações. Segundo o consultor, no que diz respeito ao volume de negociações de agronegócio na bolsa o Brasil ainda está atrasado -em relação a Estados Unidos e Japão, por exemplo-, porque o produtor local ainda espera que o governo resolva todos os problemas. "Mas ele precisa entender que pode, sim, apostar e confiar no mercado", destaca.

Em 2008, o contrato mais negociado no setor de agronegócio no Brasil foi o do boi. Mais de 90% do número de cabeças abatidas foram negociadas na bolsa, o que totalizou mais de 34 milhões de animais. O segundo produto foi o café, no total de 84 milhões de sacas, volume 2,2 vezes a safra do País. No Paraná, o maior número de contratos, conforme Dias, ocorre com a soja e com o milho.

Ele destaca, por exemplo, que o preço da soja da bolsa é formado pelo Porto de Paranaguá. "Aqui, no Paraná, tem tecnologia, sistema portuário, infraestrutura e nós queremos agregar valor ao produto local", diz o consultor, ressaltando a importância do Estado para o setor do agronegócio.

A assessora da diretoria de agronegócio do Banco do Brasil, Danielle Freitas Peres, também reforça o papel do Paraná nas negociações do setor e a importância do produtor realizar contratos na bolsa. "Ele protege o preço do seu produto, avalia por quanto poderá vender a produção e garante receita", destaca.

Danielle ressalta que o produtor precisa conhecer mais a bolsa, o mercado futuro e o de opções e perder um pouco o medo de operar. Nesse sentido, segundo ela, o BB tem cada vez mais preparado seus funcionários para poderem tirar todas as dúvidas dos interessados em negociar. Na sua opinião, o interessante é mostrar ao produtor como operar, realizar testes e não ficar apenas na teoria. "Muitas vezes ele sabe plantar bem, colher bem, mas não sabe como e por quanto pode vender o que produziu. E a gente tenta mostrar alguns caminhos", frisa.

O produtor de grãos, Sílvio Sugeta, já operou na bolsa, mas participou do evento para obter mais informações. Apesar da sua primeira experiência não ter sido tão positiva, há um ano, Sugeta afirma que pretende continuar negociando sua produção no mercado futuro, mas agora com muito mais conhecimento. "Com a soja, por exemplo, que é negociada em dólar, agora a gente já sabe que é necessário travar o valor do grão no futuro e também o do dólar para não perder com a oscilação de câmbio", explica. Ele diz que procurou bancos e corretoras para conhecer melhor as transações de agronegócio por meio da bolsa de valores e afirma que considera a opção uma forma de reduzir os riscos de seu negócio.