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Opinião

Associativismo – Afinal, o que queremos?

02 outubro 2009 - 00h00

Jonathan Pereira Barbosa

A filosofia já definiu – o homem que age só, ou é um Deus, ou é um bruto. Assim coerentemente nos restaria a convivência entre ambientes e pessoas: a plena conexão no coletivo, para uma melhor qualidade de vida.

Gerações e mais gerações cumpriram suas etapas... e nada mudou. A cada dia o individualismo vem preponderando e o egocentrismo cresce também no meio rural. O que lamentamos. Equivocadamente, as pessoas se omitem ao encontro das oportunidades, de servirem e participarem, onde poderiam agregar suas disponibilidades de tempo e de talentos em defesa do seu meio e de sua atividade fim.

Abordamos aqui o meio rural, onde os resultados são bem piores e só resta aos que defendem o associativismo, trabalho, trabalho... e críticas antecipadas. Recursos impróprios, descabidos e, portanto, injustos, acontecem. Seria partir da acomodação para uma fuga. E na ausência de uma justificativa racional é que aparecem poucos abnegados ainda insuficientes para a demanda. Bradamos por mudanças. Tudo está “sempre muito ruim”. Fala-se do que deve ser feito, mas no fundo os que mais falam são aqueles que nada fazem.

No caminho da auto-suficiência, acham que ganham sempre, quando acabam colecionando perdas dentre algumas decepções camufladas. E porque? Porque já decretaram que os fazendeiros não são unidos!... E aqui diríamos mais do que isso na verdade: “são desorganizados”. E também enquanto isso pagamos: Fundersul, vacina de aftosa, ITR com majoração absurda, taxas e mais taxas, congelam os nossos créditos de ICMS, recebemos calotes de frigoríficos, majorações inexplicáveis no preço de adubo, fertilizantes, medicamentos veterinários, do sal mineral, rações, arame.. e demais insumos.

Enquanto que o que produzimos continuam ficando defasados rotineiramente para baixo. A falta de interesse nos afasta cada vez mais. E, assim, enquanto isso fazemos o jogo dos adversários, não nos organizando. Até quando? Por tudo o que pagamos, mas como presas fáceis, ainda somos alvos dos interesses internacionais, ONGS, “ambientalistas”, povos indígenas, MSTs... dentre outras situações. Reclamamos da fila da Iagro, mas continuamos nas filas discriminatórias.

Combatemos a fome produzindo alimentos, a carne para o churrasco, colocamos o leite na caixinha, o arroz e feijão na mesa, o trigo do pão de cada dia, frutas, verduras, legumes, carnes brancas, ovos, farinhas, óleos comestíveis e tantos outro alimentos para sustentar as necessidades internas e internacionais. E o que somos? Qual o nosso valor?

Chegamos, por exemplo, a uma entidade como a Acrissul, democraticamente elaborando uma chapa de consenso com dezenas de cargos diretivos e auxiliares, todos associados ativos ou então afastados, e quando começamos a trabalhar por todas as áreas, fazendo e acontecendo com todas as forças, acabamos não contando com a participação da grande maioria dos companheiros de chapa, eleitos e empossados, ausentes e omissos.

Acabamos resumidos em uma meia dúzia de abnegados. Por mais apelos e chamadas renovados a cada evento e reunião. Lamentavelmente!!! Fazendeiros ou produtores, como assim os desejarem. Antes que vocês padeçam declaradamente, acordem! O momento já é quase tarde.

Junte-se a realidade, o mercado é bruto, assim a sobrevivência é difícil. Se apresentem mesmo como retardatários. A sua associação de classe está vos chamando. Afinal, o que queremos?

Jonathan Pereira Barbosa é 1º Vice-presidente da Acrissul