Menu
Busca quarta, 22 de maio de 2024
Busca
(67) 3345-4200
Campo Grande
Previsão do tempo
27º
PECUÁRIA

Arroba do boi registra o menor preço para fevereiro em 4 anos no Estado

Em 2021, valor pago no mercado físico de MS era de R$ 267,08, enquanto no mês passado a arroba foi a R$ 216,21

06 março 2024 - 08h55Por Correio do Estado

Com média cotada a R$ 216,21 em fevereiro deste ano, a arroba do boi gordo em Mato Grosso do Sul registrou para o mês a menor cotação dos últimos quatro anos. Conforme dados da Granos Corretora, em 2021, a arroba era negociada pelo preço médio de R$ 267,08 no mercado físico do Estado. 

Já no mês passado, a média ficou em R$ 216,21, pior resultado desde 2020, quando o gado era comercializado a R$ 168,20.

Os valores praticados no segundo mês do ano revelam que o mercado do gado de corte permanece enfrentando instabilidade de preços, com a arroba quase voltando a patamares abaixo dos R$ 200,00.

No dia 29 de fevereiro, conforme cotação da Granos Corretora, o valor de venda ficou em R$ 214,73, menor preço praticado no mês passado e, até o momento, neste ano.

Desde o fim de janeiro, os valores passaram a sofrer oscilações, chegando a R$ 216,70 no dia 30 daquele mês. Assim, o gado de corte segue com registro de variação negativa no mercado físico de Mato Grosso do Sul.

“No comparativo anual, o preço permanece baixo. A arroba do boi está 15,8% menor e a arroba da vaca 15,4% inferior quando comparado fevereiro de 2023 e 2024”, destaca o boletim Casa Rural, do Sistema Famasul.

Já a arroba da vaca foi cotada ao valor médio de R$ 206,00 em 19 de fevereiro, refletindo a estabilidade na primeira quinzena do mês.

“A estabilidade reflete o equilíbrio entre a oferta e a demanda em um período de consumo interno mais retraído, mas com exportações em alta, e compensa o deficit na demanda interna”, justifica o boletim técnico.

De acordo com o economista do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG) Staney Barbosa Melo, trata-se de uma situação muito desafiadora para o pecuarista.

“Reflexo das escolhas que foram feitas nos anos anteriores, de aumento do rebanho de fêmeas, que se mostrava uma escolha racional e correta naquele momento, dado que as cotações do boi gordo atingiam recorrentemente patamares recordes, que superavam os R$ 300,00 a arroba em alguns momentos”, avalia.

2024

Melo pontua que, com as alterações no mercado, as perspectivas para este ano seguem desafiadoras. “Mantém-se no horizonte condições de demanda ainda ruins no mercado internacional, que também fazem com que os preços dos alimentos, em especial da carne bovina, permaneçam em patamares ainda baixos, distantes da realidade que vimos em 2021 e 2022, quando os preços da arroba estavam sendo negociados acima dos R$ 300,00, inclusive superando, em meados de março de 2022, os R$ 350,00 por arroba”, ressalta.

Ao considerar o primeiro mês deste ano, é possível verificar que o preço da arroba do boi em Mato Grosso do Sul encolheu, em média, em R$ 100,00 no período de dois anos.

O valor das cotações no mercado físico local reduziu em 31,53%, considerando os valores médios praticados em janeiro de 2022, quando o gado era comercializado a R$ 317,67. Em janeiro deste ano, porém, o preço médio da arroba foi de R$ 217,52.

No comparativo com o primeiro mês do ano passado, o valor praticado no mercado físico de Mato Grosso do Sul também apresentou redução de 14,47%, uma vez que o gado era comercializado a R$ 254,33.

Setembro do ano passado foi o ápice da queda nos últimos dois anos. A arroba do boi bateu R$ 195,67, diferença de apenas R$ 21,85 quando comparada ao preço praticado no fechamento de janeiro de 2024.

Expectativas

Desde o início deste ano, representantes do setor ainda demonstram insegurança e projetam um primeiro semestre de continuidade do panorama do ano que se findou.

“Temos que o cenário continua praticamente o mesmo do ano passado, com escalas alongadas nas indústrias, 
o que deve ser sentido ao longo desses primeiros seis meses”, avalia o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Guilherme Bumlai.

Melo corrobora a análise de Bumlai, ao indicar que as pressões de ofertas residuais, as quais impedem a recuperação dos preços, devem manter as cotações em níveis baixos.

“O que estamos vendo agora, neste início de ano, é uma continuidade desse quadro de excesso de oferta e escassez de demanda, em que a capacidade de escoamento da produção não acompanha o ritmo dos abates nos frigoríficos, que repassam para o preço esse maior ritmo de estoques, com escalas de abate mais confortáveis”, afirma.

Para a segunda metade do ano, o presidente da Acrissul salienta que a tendência é de que o cenário comece a se inverter, retomando um novo ciclo de alta, com menos abates de fêmeas e com redução na oferta de gado gordo.