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Alta de 20,09% no Preço do boi revela abate excessivo de matrizes em anos anteriores

28 setembro 2010 - 00h00Por Agência CNA

 A valorização dos preços do boi gordo no mercado interno é reflexo do expressivo aumento na taxa de abate de matrizes nos últimos anos. “Sem conseguir renda suficiente para se manter na atividade, os pecuaristas não tiveram opção e foram obrigados a abater boa parte do rebanho, a maioria de fêmeas”, afirma o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira. Para ele, as conseqüências dessa decisão podem ser dimensionadas agora.

A demanda por animais supera o volume ofertado. Neste ano, as indústrias não podem recorrer à estratégia de completar as escalas de abate com fêmeas, prática comum nos últimos anos. “Não há lotes de fêmeas disponíveis”, afirma Nogueira. Dessa forma, a única alternativa para os frigoríficos é comprar lotes de boi gordo.

A disponibilidade de animais para abate é tradicionalmente menor durante o período de inverno. Neste ano, no entanto, a situação é mais crítica, reflexo do abate de matrizes dos anos anteriores. Levantamento da CNA mostra que os preços do boi gordo subiram 20,09%, em São Paulo, no acumulado de janeiro a agosto de 2010. E não há perspectiva de redução de preços, mesmo com o fim da entressafra.

Os confinamentos são finalizados até meados de novembro, após as primeiras chuvas. Neste ano, no entanto, as queimadas destruíram as áreas de pastagem e a recuperação dos pastos deve levar mais tempo, o que resultará em atraso na conclusão do processo de engorda a pasto. “Os preços do boi gordo não devem cair, mesmo com a chegada das chuvas”, diz Nogueira.

A variação positiva dos preços da arroba já foi percebida pelo consumidor, que está pagando mais caro pela carne. Segundo pesquisa da CNA, a alta dos preços dos cortes no atacado superou a valorização da cotação do boi gordo.  No acumulado do ano até agosto, os preços do dianteiro foram os que mais subiram no atacado: 38,84%. O preço da ponta de agulha subiu 31,74% no período. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no acumulado do ano até agosto foi de 3,14%.

Fêmeas - Em anos normais, o abate de fêmeas oscila entre 22% e 25%. Há três anos, no entanto, esse índice atingiu o pico de 47%. “Há alguns anos estamos alertando para o excessivo abate de matrizes e para as conseqüências dessa situação. A falta de animais para abate, infelizmente, é uma realidade anunciada”, explicou Nogueira.