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Ruralismo

Acrissul e ABCZ defendem pagamento do boi gordo pelo peso do animal vivo

25 fevereiro 2010 - 00h00

O presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Francisco Maia, juntamente com o presidente da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), José Olavo Borges Mendes, lançou a campanha pelo pagamento do boi pelo peso do animal vivo. “Com isso o produtor vai ter mais segurança, porque saberá o quanto vai receber pelo seu gado na hora em que deixar a fazenda”, argumenta Maia.

Segundo ele, hoje o criador recebe pelo rendimento de carcaça, ou seja, quantos quilos de carne o boi tem depois de retirado o couro e outras partes. “Acontece que, quando a carne vai ser destinada para a França, por exemplo, retira-se mais a gordura. Quando é para outro mercado, que prefere carne magra, o corte é diferente. Então o produtor nunca sabe o quanto vai render o seu gado”, explica.

Uma opção sugerida por Maia para se dirimir o problema é a classificação dos animais quando ainda vivos, pagando-se a mais por aqueles que apresentarem melhores condições físicas. Ele lembra que isso já é praticado no Rio Grande do Sul e em outros países como Argentina e Uruguai.

O presidente da ABCZ, ciente da questão, disse que vai se reunir com os sindicatos da região do Triângulo Mineiro e com os frigoríficos para discutirem o assunto. “O criador quer produzir com qualidade, e ele faz isso, agora, precisa ser remunerado adequadamente”, ressalta Mendes. Maia acrescentou ainda que tem de haver uma relação de transparência na cadeia da carne por uma questão de respeito ao consumidor. “Ele tem de saber o porquê o produtor recebe R$ 2,40 pelo quilo do carne, e ele tem de pagar até R$ 16,00”, disse sugerindo que os supermercados também façam parte das conversas.

Convite e exemplo

Francisco Maia aproveitou a ocasião para convidar José Olavo para trazer a ABCZ para a 72ª edição da Expogrande (que acontece de 18 a 28 de março). Ele confirmou que não só estará presente, mas que também terá um estande. “Vamos trazer nosso pessoal para falar de melhoramento genético, que é a mola-mestre da pecuária”, adiantou. “Somente com genética de alta qualidade é que conseguimos ter mais produção”, frisou.

Outro assunto tratado no encontro entre os dois ruralistas foi a ação vitoriosa que a Acrissul moveu contra a cobrança do Funrural nas comercializações intermediárias da produção agropecuária. A entidade conseguiu uma liminar na qual isenta seus associados da cobrança do tributo. Maia entregou a José Olavo uma cópia da decisão da Justiça Federal para que a mesma medida fosse tomada em Minas Gerais. “É muito importante que todos tenham essa mesma atitude. Somos poucos, mas unidos podemos fazer muito”, disse, lembrando que o apoio da CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e das associações é muito importante.

Ele ainda elogiou iniciativa da Acrissul em internacionalizar a Expogrande e disse que o convite aos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai) e Hugo Chaves (Venezuela) é muito importante. “Mesmo que nós não comunguemos dos mesmos pensamentos será um orgulho para nós recebê-los. Acho importante receber os presidentes da Bolívia e do Paraguai, países com os quais Mato Grosso do Sul tem fronteira, isso vai unindo os elos da cadeia”, defendeu.