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Expogrande

Palestra desperta para a necessidade de classificação mais justa para a carne

25 março 2010 - 13h08Por Jefferson da Luz - Via Livre Comunicação.

Tentar despertar os pecuaristas para uma lei que faz diferença para mais na hora de vender o boi, esse foi o objetivo da palestra ministrado pelo consultor agrícola Ruy Schardong, na manhã de ontem (24/03) no ciclo de palestras da 72ª Expogrande -que segue até o dia 28 de março.

Segundo ele, a lei número 9.972 de 25 de maio 2000 estabelece a classificação de produtos animais destinados ao consumo ou a industrialização. Na prática a legislação diz que deve haver níveis de classificação oficial da carne baseados em suas qualidades tanto intrínsecas quanto extrínsecas, que sirvam de base para se chegar a um valor a ser pago pela arroba do boi. No entanto, até hoje, a lei não foi regulamentada, e a avaliação do gado passa apenas por uma classificação subjetiva feita, na maioria das vezes, somente pela indústria com base em critérios extrínsecos, ou seja, por características visuais.

“Fatores como maciez, teores de proteína, de gordura, de acidez e até mesmo de Omega 3 não são levados em conta na hora do produtor receber pelo boi”, argumenta Schardong. “Falta iniciativa dos sindicatos para que haja um laboratório em cada frigorífico de forma que a carne seja analisada em suas características intrínsecas no momento abate”, reivindica.

O palestrante disse ainda que a lei, quando estava em fase de elaboração, tratava exclusivamente de produtos vegetais, e que somente por intervenção de um produtor muito influente no país foi inserido um artigo que incluiu a carne na exigência de padronização, fiscalização e classificação dos produtos agrícolas, o artigo 10º. Desde então, a matéria é carente de regulamentação, que deveria ter sido feita pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Essa demora Schardong credita a passividade dos produtores com relação a assuntos que lhes interessam.

“Individualmente, o produtor só vai ter algum resulta se recorrer a Justiça, mas é possível se conseguir a regulamentação da lei através de organização", pondera, lembrando que a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) é a entidade certa para induzir as discussões.